quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

The Budget

"For too long, our budget has not told the whole truth about how precious tax dollars are spent. Large sums have been left off the books, including the true cost of fighting in Iraq and Afghanistan. And that kind of dishonest accounting is not how you run your family budgets at home; it's not how your government should run its budgets, either."

Obama, hoje, na apresenção do Orçamento norte-americano. Porque é que eu tenho a impressão de que isto não se passa só nos EUA?

quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Education, Education, Education

Em Portugal dão-se computadores a direito e a torto, mas ninguém diz o que é preciso dizer sobre educação. Finalmente vejo alguém a dizer isto:

"It is up to us to ensure they walk through them. In the end, there is no program or policy that can substitute for a mother or father who will attend those parent/teacher conferences, or help with homework after dinner, or turn off the TV, put away the video games, and read to their child. I speak to you not just as a President, but as a father when I say that responsibility for our children's education must begin at home."

Barack Obama, ontem, no Congresso, no meio de um longo e aplaudido discurso que só vi esta tarde. As parte sobre educação é para mim a melhor do discurso.

terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Delayed Oscars

Ainda não falei por aqui dos Oscars. Além das modas e dos quilates que desfilaram na passadeira, a cerimónia no Kodak foi brilhante. A abertura com Jackman e Anne Hathaway foi genial e surpreendente, deixou a sala (cuja nova disposição fez com que o ambiente melhorasse muito) rendida, numa ovação ao apresentador australiano que levantara sobrancelhas. A apresentação dos nomeados deu a cara lavada tão anunciada e precisa; e depois, a meio, o show de dança de Jackman com Beyoncé metida ao barulho teve uma sucessão de músicas totalmente nonsense, num registo graciosamente esquizofrénico que resultou em cheio: coreografia excelente, com graça, ao nível dos musicais de outros tempos (dress code impecável, em consonância), um jogo de luzes fantástico. Vale a pena rever.

E os nomeados que deram vencedores: Penélope esteve muito bem, com o discurso que só não se pode dizer bilingue porque eu não sei se ela chegou a falar inglês; Kate Winslet com a graçola do champô e o assobio do pai também não esteve mal; Sean Penn, merecidíssimo vencedor que conseguiu parar a marcha vitoriosa de Mickey Rourke, optou por dar um cunho marcadamente político ao discurso, mas esteve muito bem. Não posso dizer se todos os filmes que não ganharam mereceram não ganhar porque não consegui ver todos, mas acho que os principais Oscars 2009 ficaram muito bem entregues a Slumdog Millionaire. A Angelina continue a fazer bons filmes e chegará um dia ao Oscar. A Meryl um dia destes conseguirá ganhar mais um ou dois. O Rourke, enfim, talvez faça de seu defunto cão no próximo filme; com o devido respeito, nem sequer será precisa muita caracterização.

E tudo isto no meio de uma carnalesca pre-Oscars party, com direito a ex-vencedores e tributos a estrelas míticas que receberam enfim, depois do tijolo feito, a cobiçada estatueta. E esteve - mas não podemos divulgar - a dupla da Freida Pinto, cuja original vai entrar no próximo filme de Woody Allen.

sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Twitter

Não se fala de outra coisa. Decidi aderir. Não conheço quase ninguém lá (está a Fernanda Câncio, mas só conheço dos vídeos do Prós e Contras do youtube...), mas não faz mal. Para já descobri que não há melhor para seguir as notícias.

quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

As Salazarettes

Hoje vi finalmente a Sábado com a reportagem relativa aos verdadeiros amores de António de Oliveira Salazar, e qual não foi o meu espanto quando descobri que afinal foram muito mais do que aqueles que a SIC escolheu contar (provavelmente porque as restantes actrizes estavam nas dez novelas que a TVI emite em simultâneo e não havia que chegasse). Já ontem, através de quem sabe, soube da tal condessa, Carolina Maria José Correia de Sá - que, ao contrário do que contou a SIC, não era Viscondessa de Asseca, mas filha do Visconde. Era sim Condessa (viúva) de Anadia. O Geneall mostrará, curiosamente, que o neto de Carolina Asseca é, nem mais nem menos, que o antigo patrão da TVI, Miguel Pais do Amaral, futuro Conde de Anadia.

O romance existiu e quase teve direito a casamento. Chegou a haver baile nas Necessidades para que Carolina Asseca aparecesse ao lado de Salazar, que então acumulava o Ministério dos Negócios Estrangeiros com a Presidência do Conselho. A Time de 46 publicou uma fotografia dos dois, que a Sábado volta a publicar esta semana. E o artigo de 46 chamado "How Bad Is the Best?" começava assim: "Last week Portugal produced no big spot news ; it hadn't for 20 years ; it might not for 20 years more if the God he strove so hard to serve spared Antonio de Oliveira Salazar." E vai por aí adiante, fazendo pouco do fado, dizendo que os hot dogs portugueses eram as sardinhas, que não havia progresso...

Na comparação com os outros ditadores, Salazar aparecia como o bom da turma: "Other modern dictators had been men so evil that their personalities obscured the inherent evil of dictatorship. Franco was a barrack-room bully, Mussolini a strutting liar, Hitler a ranting sadist, and Stalin a bloody-minded professor of the art of power. But Salazar was a virtuous man—selfless, intelligent, efficient. If despotism could be benevolent, Salazar's character was ideal material for "the good dictator." (...) he had made such good marks in grade school that his peasant mother, whom he worshiped, called him "the little priest.""

De Carolina Asseca dizia que tinha conhecido o ditador durante a visita da Rainha D. Amélia e acrescentava: "The most significant fact about Salazar's relationship with the Countess is that not even the gossipy Portuguese, not even Salazar's thousands of enemies, suggest that she is his mistress. His reputation for piety is so great that a liaison is considered unthinkable. Many Portuguese hope the rumors that he intends to marry are true; they say marriage might humanize the man whom most of them fear, but whom few love."

20 anos depois Salazar continuava no poder; Carolina Asseca não resistiu à reportagem.

segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

"Sei muito bem o que quero e para onde vou..."

Já muito se falou da recente mini-série sobre os amores de Salazar. A esquerda inflamada, acusou de branqueamento da história. Os discursos mostram uma persistente vontade em não deixar jamais que se fale de Salazar sem que o diabo lhe seja associado (numa espécie de Salazar & Satanás, Inc.), como se o sucesso dos partidos da extrema esquerda dependesse da sombra da ditadura. Eu acho - simplesmente e tentando não cair nas básicas comparações a personagens da quasi-mitologia romântica - que a frase em epígrafe pode ter ganho outra dimensão com a mini-série.

Embora tenha curiosidade em saber quais dos factos encarnados correspondem à verdade (a Time de 46 fala, de facto, de uma condessa, mas as datas e os nomes não coincidem), parece-me evidente que a imagem do ditador sem coração nem sentimentos, de voz esganiçada e ar beato, não pode ser a verdade toda, porque é demasiado crua, demasiado simples. Por isso não nos surpreendamos se por aí aparecer um dia destes uma Anastácia da Conceição, de ar empertigado, a reclamar a herança do falecido pai: "que o país estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando se chegar à altura de mandar".

quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

A caminho dos Oscares II

Quando não se fala senão da grande Oscars Carnival Party em toda a Lisboa, há que preparar não só a máscara da referida noite, mas também a festa dos Oscars que a justifica. Na semana passada vi o Milk, de Gus Van Sant, uma excelente adaptação da vida do activista gay americano Harvey Milk. A mistura de imagens dos anos 70 com imagens actuais resulta surpreendentemente bem, mas é a actuação de Sean Penn que domina o filme: brilhante, claramente de Oscar.

Hoje, Slumdog Millionaire. Excelente, divertido, muito surpreendente. Cada vez me convenço mais de que não vale de muito ler os nossos críticos de cinema. Dizem que é uma exploração da pobreza de Bombaim, que é um filme fácil - mas será fácil filmar a pobreza? Não é o típico filme de Oscars, mas acho que se percebe porque tem arrebatado tantos prémios e a nomeação em Achievement in Cinematography diz muito. Se calhar, nestes tempos cinzentos, cai bem uma história de amor diferente, onde não é o dinheiro que reina, apesar de estarem uns milhares de rupias em jogo. Gostei muito, acho que a história domina os espectadores e sai-se de lá bem disposto, que não é mau, para alternar com as vezes em que se sai pensativo ou macambúzio (apeteceu-me usar uma palavra diferente...). Muito recomendado, portanto.

quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

E no entanto, ele falha...

Hans Küng é um teólogo conhecido pela sua dissidência em relação ao Vaticano e pela sua contestação do dogma da infalibilidade papal. João Paulo II retirou-lhe por isso, a possibilidade de ensinar teologia, mas aparentemente não chegou ao ponto de o excomungar, mantendo-se Küng hoje ainda como sacerdote católico. Foi, juntamente com Joseph Ratzinger, apontado como perito pelo Papa João XXIII no Concílio Vaticano II e foi Küng o responsável pelo início da carreira na universidade do actual Papa. Claro que, com os anos, as relações azedaram, mas isso não impediu que ambos se tivessem reunido para uma discussão teológica já depois da eleição de Bento XVI.

Ora, a julgar pelo que estas semanas se passou e que eu já comentei en passant no post ortodoxo, muitos poderão dizer que a infalibilidade papal está, efectivamente, em causa e Hans Küng pode ter novos adeptos para a sua causa. É evidente que, como foi já repetido pelo Vaticano, foi por desconhecimento que o Papa permitiu que a excumunhão do tal pseudo-bispo fosse levantada. O grande erro foi a falha em agir rapidamente, no sentido em que veio a agir ontem, mas evitando o embaraço diplomático de ter judeus a cortar relações por tempo indeterminado e a Chanceler alemã (a primeira líder, se bem me lembro, a defendê-lo - e bem! - a propósito do célebre discurso de Regensburg) a questionar as suas posições, que de resto sempre foram claras no sentido de condenar o Holocausto e de se solidarizar com os judeus.

Refira-se também que, por desconhecimento meu, cometi um lapso no post em que falei do assunto ao assumir que se tratava de automático acesso à prelatura, que não aconteceu e ainda bem. But then again, I have no claims to infallibility...

segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Outra entronização

Depois do Patriarca de Moscovo ontem, hoje foi Muammar Kadhafi, o grande líder, a ser entronizado como Presidente da União Africana, vestindo-se a rigor - mais doirado que o Patriarca - e com uma versão grande e verde do pin com forma de África que trouxe a Lisboa para o banquete da UE-África! Kadhafi promete lutar pelo seu projecto de Estados Unidos de África, à moda da União Europeia.

VJS, no Sol - MST, no Expresso

Muito bom o artigo de Vicente Jorge Silva no Sol, sobre os problemas do Primeiro Ministro. O ex-deputado socialista fala sobre parecer e ser, sobre totalitarismo, sobre a mulher de César e sobre as desventuras de Sócrates e o partido "amorfo e submisso" que criou: "É sumamente irónico que José Sócrates, tendo jogado com tanta desenvoltura este jogo do parecer e do ser, se apresente hoje como uma das suas vítimas."

No Expresso, Miguel Sousa Tavares, defendendo de alguma forma o Primeiro Ministro (face à suposta falta de alternativas, que é um dos produtos mais eficazes da máquina de propaganda socialista), tem um ataque de anti-portuguesismo extremo, com alguma graça mas com algum exagero também: "Eu penso que Portugal não vale muito como nação e como povo - aquilo que nos separa da inviabilidade não é tanto como, por inércia, nos habituámos a pensar. Vejo Portugal um pouco como aquelas mulheres fatais que, entre os vinte e tal e os quarenta e poucos anos, se habituaram a reinar como princesas, seduzindo e cativando tudo à roda e julgando-se eternamente senhoras do jogo. Mas, um dia, olham-se ao espelho, percebem que o seu poder de sedução está a desaparecer e correm para as plásticas, para os ginásios ou para um sem-número de truques com os quais julgam poder enganar eternamente o que, pela natureza das coisas, tem um fim. Um dia, dissipado o nevoeiro do espelho, com a miserável realidade das facturas para pagar, extinto o charme do fado, do sol e do bidonville algarvio, Portugal dar-se-á conta de que está sozinho e de que já ninguém se deixa seduzir pelo seu jogo de mulher fatal da Europa, o país "que deu novos mundos ao mundo", o Infante, as caravelas e toda essa conversa gasta."

domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Open da Austrália

Palavrinha ainda para os dois únicos jogos do Open da Austrália de que vi pelo menos parte, sexta e hoje. Hoje Federer esteve longe dos seus melhores dias, ainda que Nadal tenha estado bem e tenha sido um vencedor justo. Mas sexta-feira o jogo da meia final entre os dois espanhóis, Nadal e Verdasco, foi soberbo, ao nível da final de Wimbledon do ano passado. Já estava a dar quando me levantei e ainda corria quando acabei de almoçar.

From Russia, with gold...

Foi hoje entronizado em Moscovo, diante de Medvedev e de Putin, Kirill I, o novo Patriarca de Moscovo e de Todas as Rússias, eleito no fim-de-semana passado. Depois dos ouros das cerimónias ortodoxas, esperam-se passos de aproximação ecuménica entre a Igreja da Rússia e o Vaticano, algo que parece ter estado na mente dos que votaram em Kirill para suceder a Alexy II, cuja dura posição contra o Vaticano e o proselitismo católico impediu a visita de João Paulo II à Rússia. Irá Bento XVI a Moscovo?

Já que falo no Papa, é inevitável não condenar a falta de bom senso no levantamento da excumunhão que ocorreu na semana passada. Que se reintegrem os que rejeitaram o Concílio não vejo mal, desde que reconheçam a autoridade de Roma. Mas que não se tenha cuidado com quem automaticamente acede à prelatura católica, pondo em causa um sempre difícil trabalho inter-religioso de décadas é muito criticável. Esteve mal o Papa em não corrigir o acto pelo menos face ao bispo negacionista, estiveram mal os assessores de Bento XVI por permitirem que isto acontecesse.

A caminho dos Oscares

Esta semana vi mais dois dos filmes nomeados para os Oscares (3 cada um), embora não como melhor filme. Na segunda vi o forte Changeling de Clint Eastwood com a Angelina, que está muito bem no papel de mãe dos anos 30. O filme surpreendeu-me. Estava à espera de uma banal troca de filhos e acabei perturbado pela cruel veracidade da história, a ler na Wikipedia o que na verdade se passou. Ontem, a Revolutionary Road de Sam Mendes, com críticas excelentes, também não desiludiu. As interpretações de Di Caprio e de Kate Winslet são brilhantes (nenhum dos dois está nomeado por este filme) e Michael Shannon, o actor secundário nomeado para Oscar está excepcional. É um drama familiar com verdades que se reflectem em muitas vidas, de várias formas e que por isso deixa a pensar. Ambos muito recomendados.

Não a caminho dos Oscares mas de um autor já laureado, comecei a ler ontem as Memórias do Elefante do José Saramago, que decretou o fim das maiúsculas, seja para reis ou divindades. Só li dois ou três capítulos, mas a excelência mantém-se.