Decidido ontem à noite, de última hora; face à falta de planos aborrecidos e à perspectiva de uma meia noite a dormir, decidi-me pela passagem de ano mais cosmopolita cá do sítio, em óptima companhia. Smoking na mala, parto amanhã. Bom 2009 a todos!
terça-feira, 30 de Dezembro de 2008
quinta-feira, 25 de Dezembro de 2008
Natal e o mundo...
Foi Natal outra vez hoje e estes dias. Sempre com tradições cumpridas, presépios com figuras de barro, todas toscas, mas umas mais, com uma desproporção que faz parte, casa cheia, ceias, chás, almoços, jantares, presentes, uns antes de tempo, este ano com direito a linho quase encendiado por sacos do Corte Inglés.
Passou outra vez, amanhã é Boxing Day, aniversário de um tsunami, fazem-se contas, poucos se lembram dos que morreram, de quanta solidariedade nova se proclamou, de mundo a mudar. E de mudar o mundo li uma frase estes dias, que me deixou pouco convencido: dizia a autora - que menção não merece - que é preciso mudar o mundo, antes que ele nos mude a nós. Por bem que soe, verdade não é.
Decidi, por não valer a pena, argumentar em contrário. Mas a resposta veio, na maior simplicidade, numa frase pronunciada ontem à noite: "Somente se mudarem os homens é que muda o mundo." Esta sim merece comentário: a perspectiva tem de ser antropocêntrica, são as pessoas que têm de mudar e de se convencer que é inútil proclamar grandes mudanças no mundo: são as pequenas mudanças, em conjunto, que podem fazer alguma coisa pelo futuro, nosso, da Humanidade.
Feliz Natal!
domingo, 21 de Dezembro de 2008
Equador
Não adianta viajar e filmar por quatro continentes e conseguir imagens fabulosas e coloridas, como as que vimos da Índia, se depois se chega a casa e se faz o trabalho de produção desastroso que vimos esta noite na TVI. Desde o início da produção nacional em massa de novelas que um dos graves problemas foram os cenários. Hoje assistimos a uma reconstrução impressionante e digna da Lisboa de finais do século XIX e a um trabalho de representação bastante bom, para depois tudo ser arruinado com umas imagens digitais de fundo no Hotel da Ericeira, do pior que vi em muitos, muitos anos, que põe a Amália nos Oscares. Faltam tantos episódios que pode ser que melhore...
Concerto de Natal
A minha terra está cheia de cultura nos últimos tempos... depois do concerto medieval de que aqui falei e do espectáculo com "artistas locais" de que ainda se fala, ontem foi o concerto anual de Natal. Como vou estando por aqui aos soluços, pensei que ia a mais um concerto da Banda Filarmónica, que são geralmente muito bons. Meia hora antes de começar estava a igreja quase cheia. Sentei-me e abri o programa, cheio de bom gosto, que me deram à porta. Qual não foi o meu espanto quando percebi que a Helena Vieira vinha cantar à minha vila! Concerto com direito a banda, coro e soprano!
Foi muito bom, porque foi a união de três boas partes: a Banda, cujo maestro fez autêntico milagre nos últimos anos ao transformá-la num exemplo; o Coro, recém-formado e muito afinado; e a Helena Vieira, que deu um brilhante show de humildade e fez duetos, na sua primeira actuação com banda filarmónica em 30 anos de carreira. Ficam as fotos, depois os vídeos.









Amália
Antes de falar de outras coisas, uma palavrinha sobre o filme Amália, que vi já na outra semana. Gostei, achei bom, dentro da qualidade possível em Portugal. A actriz que faz de Amália está muito bem e lembra muito o estilo da verdadeira. Mas há duas falhas graves que impedem a classificação como muito bom ou mais entusiasmo da minha parte. Primeiro, a caracterização da Amália dos anos 70 e sobretudo a dos anos 80: muito má. Parece que as bochechas se vão derreter a qualquer momento. Segundo e sobretudo, o desastre que é o Ricardo Carriço a fazer de segundo marido, com um sotaque brasileiro inenarrável... não havia ninguém disponível na Globo que desse uma ajuda?
Fica a verdadeira...
Regresso pré-Natal
Falta de inspiração, tempo e paciência têm-me apartado deste blogue que criei vai para um ano. Com tais faltas ficaram em branco datas tão significativas como o aniversário da Cimeira UE-África e da Assinatura do Tratado de Lisboa. Já falei de tudo isso no passado, na rubrica Imagens da Presidência. Entretanto tenho andado nas minhas actividades pré-natalícias, entre almoços de Natal, presépios e concertos. Ficaram por comentar Blagojevichs, Amálias e Madoffs, alguns dos quais ainda terão direito à linha da praxe. Volto à actividade, sem excesso de vontade ou inspiração, sem saber se vou escrever muito.
quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008
Era uma vez em... 1808 - 1908
Ontem foi a inauguração da excelente exposição do meu amigo João Figueiredo, que podem e devem os meus leitores visitar na galeria do Ministério das Finanças, no Terreiro do Paço, até ao fim deste mês. Para os que não puderem ir, têm sempre as fotos no site do João. Como já escrevi, "a interpretação que o João faz da vida das figuras que compõem esta exposição, aparece transposta nas pinceladas e nos tracejados, entre o enigmático e o metafórico, concentrando em pormenores a história de um embarque caótico, de uma fuga disfarçada em glória, de um desembarque inusitado e de uns anos em que Portugal aconteceu além mar e transformou para sempre o Brasil."
Ficam os meus favoritos, de 1808:
"Era uma vez… a Europa de 1807! Desenrola-se à volta da figura quase mítica de Napoleão Bonaparte, Imperador dos Franceses, coroado em 1804 na Catedral de Notre Dame de Paris. Napoleão I quer fazer da Europa o seu Império, suplantar Carlos Magno e Carlos V. Tem a Europa a ferro e fogo. Portugal é um aliado histórico do Reino Unido, o seu grande objectivo.
"Em Lisboa reina D. Maria I, Piedosa e Louca, mas é o Príncipe Regente D. João quem governa em seu nome e decide, em Novembro de 1807, o grande golpe que o faz entrar na História da Europa como o único que engana Napoleão: Portugal muda-se para o Brasil, transfere a Família Real, a Corte, o Tesouro, a Capital.
"Em 1808, enquanto Junot devassa Portugal e Wellington vem em socorro, a Corte desembarca e instala-se no Rio de Janeiro. Nasce um novo Brasil, Portugal recriado Além-mar, nos trópicos, com tudo o que de bom e mau partiu nas naus de Lisboa.
"O Brasil não mais será o mesmo: ficará marcado pela filantropia e cultura do Rei D. João VI, pela fealdade e histeria da Rainha D. Carlota Joaquina, pelas aventuras de D. Pedro, futuro Imperador. O Rio de Janeiro torna-se uma capital única, com o seu esplendor europeu açucarado, cativando a Corte, quase decidindo a permanência e o esquecimento de Lisboa.
"Estas são as estórias de três reis, três imperadores e três rainhas, duas imperatrizes e dois generais, de como mudaram a História de um país que passou a ser dois, um Reino e um Império, Aquém e Além Mar."
"O Brasil não mais será o mesmo: ficará marcado pela filantropia e cultura do Rei D. João VI, pela fealdade e histeria da Rainha D. Carlota Joaquina, pelas aventuras de D. Pedro, futuro Imperador. O Rio de Janeiro torna-se uma capital única, com o seu esplendor europeu açucarado, cativando a Corte, quase decidindo a permanência e o esquecimento de Lisboa.
"Estas são as estórias de três reis, três imperadores e três rainhas, duas imperatrizes e dois generais, de como mudaram a História de um país que passou a ser dois, um Reino e um Império, Aquém e Além Mar."




E 1908:
"Era uma vez… em 1908, a segunda parte, a mais sombria, desta história. A 1 de Fevereiro, Sua Majestade Fidelíssima El-Rei D. Carlos I de Portugal e dos Algarves, d’Aquém e d’Além-Mar em África, Senhor da Guiné, e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. é vilmente assassinado no Terreiro do Paço, ao chegar de Vila Viçosa, bastião da Casa de Bragança.
"D. Carlos I fica na História de Portugal como um dos mais cultos e desditosos monarcas, exímio pintor e oceanógrafo. Morre, junto com seu pai, o Príncipe Real D. Luís Filipe, Duque de Bragança, o promissor herdeiro – culto, educado e viajado – da quase milenar Monarquia Portuguesa.
"A Europa, em choque com a morte do Rei de Portugal e a do seu herdeiro, destaca a coragem heróica de uma mãe, a Rainha D. Amélia, que defende a sua Família e o seu Reino com o seu ramo de flores e salva com ele o seu filho mais novo, o novo Rei de Portugal, D. Manuel II. Será um reinado breve, de apenas 2 anos.
"Em Setembro de 1913, no esplendor do exílio, D. Manuel II, rodeado pela realeza europeia e com esperança, que será vã e saudosa, de regressar a Portugal e ao Trono dos seus antepassados, casa-se com a Princesa Augusta Vitória de Hohenzollern-Sigmaringen.
"Não se cumprirá neste casal o futuro da Monarquia: em 1932 morre, com D. Manuel II, o ramo principal da Casa de Bragança, descendente de D. Pedro IV. Ficam, nestes retratos, as estórias desta família, Desventurada, injustiçadamente esquecida pela História de Portugal."

Muito, muito recomendada!
segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
Team of rivals
Um acontecimento de suma importância impediu-me de ouvir na íntegra o discurso do vice-presidente eleito Biden esta tarde, na conferência de imprensa de Barack Obama para anunciar a sua National Security Team - atravessando montanhas, nevões e chuvadas, chegou a minha nova máquina fotográfica, igual à roubada em Paris. Esperemos que tenha melhor sorte. Assim sendo, não poderei comentar no discurso de Biden, mas sim os restantes.
Obama confirmou as expectativas, não só no que respeita às personalidades escolhidas para liderar a sua Administração nesta área fundamental (que inclui os Negócios Estrangeiros), mas no que respeita à argumentação sólida e racional que usou para justificar as suas escolhas. Fez um discurso coerente e sensato, qualificou os seus escolhidos como personalidades fortes, com opiniões fortes, com quem espera não concordar sempre: é salutar a discussão de ideias e não o pensamento "em grupo", que caracterizou a Casa Branca de W. Bush. Mas deixou claro que a decisão política lhe compete a ele, enquanto Presidente, cabendo aos outros executar as suas decisões. Obama falou dos seus escolhidos como pessoas que compartilham a sua ideia de "pragmatism about the use of power" e foi para Hillary Clinton, a futura Secretária de Estado, que teve mais elogios. A referência a "team of rivals" foi de um jornalista, mas vem na realidade de um mentor espiritual de Obama, o Presidente Lincoln.
Hillary teve o segundo melhor e segundo mais longo discurso. Coerente também e elogioso do Presidente Eleito, mas sobretudo mostrando a sua determinação ao aceitar esta posição na Administração Obama e de trabalhar para melhorar o Mundo. O terceiro melhor discurso foi o do novo Procurador Geral, Eric Holder, que explicou com grande clareza e simplicidade a sua função e a forma como pretende exercê-la. A nova Representante Permanente junto das Nações Unidas poderia ter evitado os agradecimentos aos pais, filhos e marido, tal como Hillary evitou os agradecimentos a Bill Clinton... Fica essencialmente a ideia de uma equipa forte e determinada, unida em torno de um Presidente com as mesmas características.
Como contraponto, fica um cartoon do Times já da semana passada, quando ficou claro que Clinton seria nomeada Secretária de Estado...

RDCongo
Artigo no Telegraph sobre o conflito na República Democrática do Congo e as ligações com o genocídio dos tutsis no Ruanda, em 1994.
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