sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

All of these lines across my face...

Pois é, mais um... já lá vão 2 anos desde que ultrapassei o quarto de século, mas não tenho de que me queixar. As lines across my face são evidentes, mas são sinal de que, apesar do ócio actual (que o Senhor Ministro parece, com o despacho-presente de hoje, ter indicado estar para acabar: vem o estudo e depois os exames e depois a "certeza" de se o meu futuro passa ou não por aquele palácio onde vivi um ano e meio e com essa "certeza" ou para lá volto ou para um desses muitos escritórios de advogados pelo mundo fora) tenho tido preocupações bastantes e tenho aprendido com elas. Espero que assim continue a acontecer. Obrigado a todos.

domingo, 24 de Agosto de 2008

Vai uma musiquinha...

Uma tarde na praia

Foi uma mais de tantas tardes na praia deste longo verão ocioso. Estava muito bom. Mas, se enquanto estive no Baleal ainda comecei a escrever o Manifesto contra o Palavrão - que um dia retomarei e chegará! - hoje tenho de escrever sobre a conversa que fui forçado a ouvir entre duas miúdas de uns 15 anos. Não sei se elas me acharam com cara de estrangeiro que não iria perceber a conversa, ou se acharam que eu ia ficar bem impressionado ou se nem sequer pensaram no que pensariam as pessoas que as ouvissem, das quais eu era o mais bem posicionado. Inclino-me para esta última hipótese.

Não eram giras sequer. Uma era um bocado gorda e tinha um pano enrolado, com uma trança de tecido esquisita no cabelo. A outra era uma espécie de camafeu, dos maus. Falavam a espécie de dialecto juvenil que ensinam programas da nossa televisão como os Morangos com Açúcar e afins, ("ya"; "tipo"; "a minha avó é bué sedentária" !!!) polvilhado com palavrões q.b.. Mas, com dois sobrinhos assíduos dos programas e fluentes no dialecto, lá fui percebendo o bastante. Primeiro falavam sobre o enorme prazer de fumar e a falta que lhes faz um cigarro (uma tremeram-lhe as pernas ao fumar o primeiro cigarro de um mês às escondidas na varanda). Esta gente percebe o mal que faz o tabaco? Já depois passaram para a ganza, e a melhor forma de a fazer.

A conversa sobre os namorados foi bastante normal, dentro do ridículo. Depois falaram em conferência telefónica com uma terceira amiga e foi quando começou a conversa sobre as bebedeiras "ya, tipo, mas ela tava mêmo bêbada ou tava só com os copos?" e combinaram uma grande bebedeira para esta noite, na casa do camafeu com a avó sedentária, segundo percebi. E, terminada a conferência, continuaram a discorrer sobre as maravilhas das bebedeiras e da vodka e de quantos cigarros iam fumar esta noite. Depois divertiram-se a telefonar de números privados para pessoas que conheciam e a passarem por parvas, elas, não as supostas vítimas da brincadeira. Quase me senti envergonhado pela figura ridícula delas.

E tudo isto poderia ser normal. Como dizia a T. esta tarde, bebedeiras e cigarros na adolescência sempre houve e vai continuar a haver. A diferença, dizia - e muito bem - a T., é que nas adolescências dos anos 70 e 80 e 90, iam as substâncias mais ou menos ilícitas a par com ideias sobre o mundo, com projectos para o futuro: substância, chamemos-lhe lícita, que dava algum sentido ao álcool e ao fumo do cigarro. Hoje, a adolescência é viver para fumar, para curtir, para beber, para ver televisão e jogar playstation e ser famoso, se possível, aparecendo nos ditos Morangos. E, assim sendo, deixa sem conteúdo e sem valores o futuro, seu e da sociedade que vai integrar. E claro que há excepções, mas são cada vez menos, segundo me é dado a ver.

E, da juventude dos meus quase 27 anos, parece-me péssimo o futuro deste país, parece-me que as coisas pioram a olhos vistos e não vejo ninguém preocupado. Só um desabafo de quem durante duas horas quis dormir e não conseguiu...

sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

E assim se recebe uma medalha...

"I climbed across the mountain tops..."

quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

O 4.º Ouro

Ouro, já quase nem me lembrava como era! Notável a atitude emocionada e humilde de Nelson Évora ao ganhar esta tarde a 4.ª medalha de ouro na história olímpica portuguesa! Não é tão emocionante como ver ganhar a maratona ou os 10.000 metros, mas tem o mesmo valor. E amanhã A Portuguesa vai soar no Ninho de Pássaro em todo o seu esplendor e a bandeira nacional vai subir ao lugar mais alto. Para a próxima... queremos mais!

quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Al'Gharb

Down here again... Muito calor, mas isto está muito cheio também. Acho que o pessoal está a mudar as férias para a segunda quinzena, sem razão aparente. Pouco melhor da constipação. Regressei à leitura da biografia do Henrique VIII, outro género de arraial.

terça-feira, 19 de Agosto de 2008

Quem vai à festa...

Depois de 4 dias de arraial, a dar a minha ajuda para se conseguir dinheiro para restaurar o tecto e o telhado da Igreja da Misericórdia, não fosse a senhora minha mãe a provedora, estou a tentar curar uma brutal constipação. Ontem não foi, de resto, um bom dia. Acordei mal disposto. Fui ao Baleal, pensando que me mudava para lá, confiante em que a passagem do meio do mês se tinha traduzido na limpeza da praia do excesso indesejado de turistas. Nada mais errado. Ilha cheia; não tive lugar para estacionar: voltei a casa, decidido a voltar ao Algarve nos próximos dias. Tentei encontrar o filme que aluguei, mas em vão, o que me deixou ainda mais irritado. Por fim (com certeza castigo), cortei-me, estúpido!, a preparar o lanche. Hoje estou um pouco melhor, excepto da constipação...

quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Regresso a norte do Tejo

Pois, tinha ideia de recomeçar a escrever por aqui mostrando as fotos da feira medieval de Silves, que visitei na minha última noite de Algarve (para já), antes de vir para norte - rumo ao acontecimento da década (pelo menos) em Alcochete, o desfile da fabulosa, inigualável, irrepetível, P.S.M.L.d.M.A. e do seu R.. Porém, as fotos do meu telemóvel ficaram de tal forma más que são indignas deste blogue e tenho de esperar que me cheguem as que máquinas alheias - alertadas para a minha presença entre as milhares de almas que habitavam a antiga 'capital' do Al-Gharb (grande livro, difícil, que li há 2 anos, do Prof. Alberto Xavier) - captaram.

Dizia eu, antes de passar o Tejo, com uma vistaça sobre Lisboa, está a vila de Alcochete, com as festas do barrete verde, este ano com direito a visita de uma fabulosa marcha da Ilha Terceira. Bem coreografada, com boa música e com muitos sorrisos, subiram com a vila inteira até à praça de touros. Aí foi tempo de corrida, mais para o fraco e com o prince charming das botas de verniz a arrancar suspiros e aplausos por piruetas, mais que por efectivo toreio. Terminámos a noite nos carrinhos de choque, agasalhados alguns, outros menos, todos com muito frio, mas todos radiantes pelo reencontro.

Passei o Tejo. Hoje subi mais a norte.

sábado, 9 de Agosto de 2008

Regresso de Macondo

Depois de um belíssimo concerto de Vanessa da Mata nos jardins do Lake e de uma noite very 80's no Le Club, hoje "de manhã" terminei na praia os Cien Años de Soledad de Gabriel García Márquez, versão original. Brilhante.

quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

Ao sul

Excepção feita a algumas pessoas - que sei aprisionadas em palácios e sofrendo de horríveis torturas de verão - quer-me parecer que Portugal inteiro decidiu desembarcar este Agosto no Algarve. Isto, está claro, além de metade de Espanha e de Inglaterra, mas esses estão sempre garantidos. É um sem fim de pessoas em todo o lado, giras umas, menos outras. Todas atraídas pelo calor que tem sido incessante, o sol fantástico que na minha praia de eleição teima em não aparecer dias seguidos no pico do verão.

É certo que não tenho estado nos meus melhores dias, mas pelo menos voltei à minha leitura. Terminei rapidamente o livro que comecei ainda antes de vir para o sul, mas ainda não dei dele conta. Presente em Estocolmo, The Visit of the Royal Physician, pelo celebrado escritor sueco Per Olov Enquist, é um romance histórico que conta a história de uma revolução inédita, a dinamarquesa. É a história da visita do médico real, o alemão Johann Friedrich Struensee, à corte do Rei Cristiano VII, louco iluminado, e da Rainha Carolina Matilde, irmã de outro rei louco, Jorge III de Inglaterra.

É em síntese, uma história de um episódio que julgo pouco conhecido do Iluminismo, nome ao qual me parece faltar o dramatismo do "Siècle des Lumières" e do "Enlightenment" e que me parece resvalar mais para as iluminuras que para as luzes; a história de um homem que, déspota iluminado, reinou em vez do Rei, no trono e na cama da Rainha, e acabou por morrer às ordens de Ove Høegh-Guldberg, filho de um coveiro e também personagem central. Struensee foi traído por todos, excepto pela Rainha, mãe da sua única filha que foi formalmente Princesa da Dinamarca mas que um reino inteiro sabe filha do médico decapitado.

Tanto quanto consegui perceber pelas leituras online subsequentes, o romance de Enquist é fiel à história desta verdadeira visita de quatro anos à corte absoluta e dissoluta, que por momentos foi revolucionada e passou a iluminada. Gostei e aprendi bastante. A frase atribuída a Jorge II sobre o seu filho, Jorge III, é uma pérola: "My dear firstborn son is the greatest ass, the worst liar, the biggest rogue, and the most awful brute in the whole world, and I wish with all my heart that he would disappear from it." Amor de pai.