segunda-feira, 28 de Julho de 2008

Câmara e Riddarholmskyrkan

A Riddarholmenskyrkan e o brasão de D. Manuel II, última foto antes do regresso à pátria:

Drottningholm e Waldemarsudde

Esqueci-me, no meu relato, de referir a minha visita ao Palácio de Drottningholm, a residência oficial da Família Real Sueca, à beira do mesmo Lago Mälaren que banha Estocolmo. O Palácio, património da Humanidade, é mais pequeno do que me tinha parecido em fotografias e é apenas uma muito modesta versão de Versalhes, que todos os países quiseram ter. Nós temos Queluz, Drottningholm é diferente, também acolhedor mas menos poeirento do que se apresenta hoje Queluz… tem numa sala uma interessante colecção de retratos dos soberanos europeus em determinado momento da história, que em Portugal correspondeu a D. Pedro V, que lá está, frente à tia (dele) Vitória, Rainha de Inglaterra e Imperatriz da Índia.

A casa do Príncipe Eugénio, Waldemarsudde:

O Vasa

É muito mais impressionante ao vivo... a cores é o modelo à escala, muito, muito reduzido. A primeira foto é o museu visto de longe, com os mastros apenas a anunciar o que estará dentro.

Palácio Real

Storkyrkan

Gamla Stan e Igreja Alemã

A Igreja Alemã:

domingo, 27 de Julho de 2008

Passeando por Estocolmo

A Gamla Stan, a Cidade Velha, é velha sem ser decadente, não há nela edifício que destoe mas também não o há devoluto. As portas antigas são quase todas e quando chegou a modernidade, fê-lo sem que se note. É delicioso andar naquelas ruelas, com lojas diferentes, interessantes e por vezes surpreendentes - tirando as obrigatórias dos recuerdos (que desta vez não vieram) mais ou menos nacionalistas. Foi tempo de música sacra também, de órgão que tanto gosto, e de música da banda da Guarda Real, que tocava em frente do Museu Nobel na tarde de Sábado.

Algumas igrejas são definitivamente merecedoras de visita, que eu sou chegado a ver uma igreja, a belíssima Igreja Alemã, cuja torre se impõe na Gamla Stan, a Storkyrkan - a catedral -, a Capela do Palácio Real e a Riddarholmskyrkan - o panteão dos reis da Suécia que tem também as armas, através dos séculos, dos membros da Ordem do Serafim. Junto ao altar, em alguma evidência, as armas do Rei D. Manuel II. Foi a última foto que tirei, à socapa, que não se podia. Mas que mal faz? Este gosto por locais mais ou menos funerários persegue-me há algum tempo, diz-se que é característica deste romantismo de século XIX de que padeço.

O Palácio Real é também impressionante, tanto o que se pode como o que não se pode visitar. Domina a cidade, razão pela qual foi o local escolhido para o primitivo castelo cujo lugar ocupou. Em vez de ter uma frente, tem quatro e mais que residência real, foi durante séculos o centro da vida política e judicial do país, com todas as instituições ali concentradas, algo que explica o seu colossal tamanho. Na Rikssalen, ou Sala do Trono (este de prata, que já serviu de modelo para tronos em filmes, escapa-me quais, mas acho que um era no Batman), abria-se em esplendor o Parlamento sueco até 1975, que então tudo mudou e o socialismo dominou a sociedade e bem tentou terminar a monarquia, sem conseguir, Deo gratias. Por falar em monarquia, as jóias da Coroa valem uma visita.

O que mais me impressionou? Sem dúvida o Vasa. Nunca dele tinha ouvido e nunca dele me vou esquecer. Ora, numa história digna de um filme, o espectacular navio teve a 10 de Agosto de 1628, faz agora 380 anos, a sua viagem inaugural. Impressionante navio de guerra de 69 metros e 68 canhões, era profusamente decorado, com coloridas estátuas e as armas reais de Gustavus Adolphus. Nesse dia partia para se juntar à guerra (que se chamaria dos Trinta Anos, mas que então não se sabia quanto ia durar), com Estocolmo inteira nas margens das suas ilhas para ver o imponente Vasa levantar âncora. E ao fim de uns 20 minutos de terem sido içadas as velas, a multidão terá estranhado ver o navio de banda, cada vez mais e mais... até que ficou claro que não iria longe.

O Vasa afundou-se perante muitos olhares: incrédulos e desesperados, da população e dos familiares dos tripulantes e dos soldados que iam a bordo; de vergonha, dos membros da Armada sueca e dos membros do Governo (o Rei estava, bom para ele!, no estrangeiro); e algo jocosos, dos embaixadores estrangeiros, mesmo os aliados, acreditados em Estocolmo, que certamente mandaram belas descrições na volta do correio, diplomático, está bem de ver. Ficou no fundo do mar, onde acaba o lago (Mälaren de seu nome), durante 333 anos, até um louco o içar em 1961, para que a cidade inteira, maravilhada, descobrisse que a mistura de águas doce e salgada o tinham conservado pelos séculos, intacto a 95%, sem as cores, é certo, mas inacreditavelmente esplendoroso e digno de visita. Vale a visita a Estocolmo.

Menção à Waldermarsudde, a casa apalaçada do Príncipe Eugénio, um dos artistas, o mais talvez, na família Bernardotte. Fica, elegante, na ilha jardim de Estocolmo, a Djurgården, o antigo parque de caça da Família Real. Hoje é um museu de arte moderna (a colecção do Príncipe), com exposições temporárias de arte contemporânea. O Príncipe não pintava mal, mas a visita vale pela casa, pelas vistas e pela luz que tem. Finalmente, já estão os leitores cansados e não andaram o que eu andei!, a impressionante Câmara Municipal de Estocolmo, o enorme edifício de inspiração italiana - ao longe parece o Palácio dos Doges, em Veneza... - onde todos os anos tem lugar o acontecimento social do ano, o banquete dos Prémios Nobel. Venham as fotos, que foram muitas... as que ficaram antes são as das vistas, agora vão os detalhes.

Estocolmo

Já é tempo de deixar constância do que foram os meus dias em Estocolmo. Confesso que está ali uma nova favorita entre as cidades que já conheço, que não são tantas como as que eu gostaria, mas são ainda assim algumas. Ouvi dizer uma vez que Estocolmo era a Veneza do Norte. Mas, onde Veneza se vê que decadência é há séculos o dia-a-dia conformado da cidade, Estocolmo assume-se como uma cidade com história, de que se orgulha, mas que soube adaptar-se aos tempos modernos, sem perder o encanto. E o encanto está precisamente na mistura entre o cosmopolita e a história, entre as preocupações ambientais e a animada vida nocturna, entre as fantásticas ilhas verdes e as ilhas de museus e palácios.

Uma cidade com uma harmonia muito especial entre todos os ingredientes que me fazem acreditar que é possível levar ali uma vida saudável como em poucas, de bicicleta ou em longas caminhadas, com ar fresco e puro, vindo do mar ou do lago, nem se percebe bem onde acaba um e começa outro. Os canais não o são bem, são antes isso mesmo, uma mistura de lago e de mar. O céu que nunca escureceu totalmente, apesar de passar já um mês do solstício, foi uma das coisas que mais me fascinou e que quase me deixou sem dormir na primeira noite, ora se era dia! Também de dia são diferentes as cores do céu, que parecem digitalmente alteradas e deram algumas belas fotos.

O relato das minhas visitas culturais ficam para outro post, já de seguida para não perder o ânimo. Mas aqui fique também notícia, já ontem mencionada, da minha visita a Vaxholm, a capital do Archipelago de Estocolmo, um conjunto de largos milhares de pequenas ilhas cuja população se multiplica por muitos no Verão. As águas do Báltico perto da cidade são o destino de férias de muitos habitantes de Estocolmo. Vaxholm é uma cidadezinha pouco interessante, com uma fortaleza onde há um restaurante com muito bom ar e boa música. A fortaleza, última defesa de Estocolmo que duas vezes salvou a cidade, foi abandonada depois do primeiro teste à sua nova construção. O navio de guerra colocou-se em posição e disparou: o fogo atravessou a parede completamente, e as autoridades acharam melhor esquecer Vaxholm enquanto defesa de Estocolmo, se a si própria não se podia defender...

sábado, 26 de Julho de 2008

Histórias de um convento e de uma pérola

Finalmente, ao fim de quase uma semana depois do meu regresso de um dos reinos do Norte, decido-me a dar conta de algumas coisas. Viajei a ler o Memorial do Convento, nunca me tinha perdoado por não o ter lido; e com razão, estou a gostar muito - a minha racional recusa do comunismo foi razão até há pouco tempo para me manter afastado de Saramago: devo, pois, reconhecer humildemente que nem todos os comunistas são maus. A escrita de Saramago é diferente, mas extremanente rica, eloquente e apelativa, por fluída e natural.

Por falta momentânea de leitura, comprei um par de livros em Vaxholm, enquanto esperava pelo barco de regresso a Estocolmo - tudo isto é parte de outra história - e um desses era o The Pearl, de John Steinbeck. Dele lera apenas The Winter of Our Discontent, que me foi oferecido pela inigualável T., com uma belíssima dedicatória, já lá vão 2 anos e tantas histórias. Este é bem mais curto e simples, mas cheio de recados, de exemplos. E fica uma citação, de entre duas passagens que me chamaram a atenção:

"For it is said that humans are never satisfied, that you give them one thing and they want something more. And this is said in disparagement, whereas it is one of the greatest talents the species has and one that has made it superior to animals that are satisfied with what they have."

terça-feira, 15 de Julho de 2008

Império à deriva

No final desta curta estadia no Algarve, saí hoje da praia com um troar de fundo que poderia perfeitamente ter sido o de salvas de artilharia, mas era, efectivamente, de trovões. Calor, sol e no horizonte uma nuvem negra que foi, até ao momento, mais ameaça do que efectivo dilúvio. Nesta última tarde, acabei de ler o Império à deriva, um excelente livro de Patrick Wilcken (original é Empire adrift) sobre os 13 anos que a Família Real Portuguesa permaneceu no Rio de Janeiro, de como um "reino inteiro" se deslocou, sob o olhar incrédulo de Napoleão, para o outro lado do Atlântico. O mais curioso deste livro é, na minha opinião, o facto de ser escrito por um inglês e por conter, assim, uma opinião relativamente isenta.

A descrição da Corte de Lisboa, de como fugiu e se instalou na maior e mais rica das colónias, e de como aí se fez velha, sem aproveitar as oportunidades do Novo Mundo, são uma lição de história, contada de uma forma muito solta, fácil de ler, com muitas citações de correspondência diplomática e particular, que ilustram os mais brasileiros anos da nossa história. Mas é interessante imaginar o que teria sido se, em vez de uma Corte decrépita, sujeita aos favores da Corte e da Armada britânicas, uma iluminada Família Real tivesse desembarcado no Rio em 1808 e tivesse transformado a cidade no definitivo centro do Império, aproveitando os recursos naturais do Brasil e transformando-o em potência. A história poderia ter sido bem diferente.

Amanhã pela fresca parto para mais uma viagem, da qual farei o devido relato à minha chegada. Até lá.

domingo, 13 de Julho de 2008

Entre Gandhi e JC

Tentei levar com uma atitude inspirada por Gandhi ou Cristo o segundo furto de que fui alvo em menos de um ano... dar a outra face. Neste caso é dar a roda que resta da bicicleta original. Se numa escaldante tarde de Agosto do ano passado me roubaram a roda da frente do meu veículo de eleição para as minhas deslocações para a praia, hoje foi o assento. Lá vinha eu, deliciado com as minhas longas horas de sono e leitura - ainda vai ficar para outro post o Império à deriva - ao sol, quando noto (déjà vu!) que há problema qualquer com a viatura. Faltava-lhe o assento! Se a Polícia Marítima, em vez de andar a confiscar bolas de berlim (!) andasse a guardar as viaturas dos banhistas honestos isto talvez não tivesse acontecido. E amanhã, como vou para a praia?

Achava que estavam todos loucos

Acabei de ler as declarações de Pelé sobre Cristiano Ronaldo e alegro-me por ver que há, neste mundo estranho do futebol, alguém lúcido. As extraordinárias afirmações de Blatter sobre a suposta escravidão de Ronaldo são, no mínimo, uma séria ofensa à memória dos verdadeiros escravos. A comparação só colhe se se referir à quase iletracia do jogador português; mas, tanto quanto sei, os verdadeiros escravos não ganhavam o que Ronaldo ganha, não tinham férias de luxo de terço branco ao pescoço com uma playmate ao lado, não tinham a mansão ultra-bimba que o senhor habita lá em terras de Sua Majestade Britânica. No entanto, a atitude de Ronaldo não é surpreendente: menino mimado que acha que todas as suas vontades devem ser satisfeitas, não tem mínima noção do que é um compromisso, profissional ou outro. Deus deu-lhe nos pés o que lhe tirou na cabeça.

sábado, 12 de Julho de 2008

Caracol de areia

Voltei hoje ao sul, depois de uma noite sofrida entre o vento frio e os demasiados elogios ao bronze, os supremos de frango tardios e os vestidos e as jóias falsas da Callas. É verdade que o Baleal é a praia de eleição, mas o Algarve, pelo descanso que consigo ter aqui, é um destino certo todos os Verões. Darei certamente conta da minha leitura do indispensável Império à deriva, mas hoje dou só absurda notícia do estado do meu cabelo ao regressar da praia: um autêntico caracol de areia.

quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Gora San Fermín!

Já terão ouvido os leitores falar das festas de San Fermín, que todos os anos tornam Pamplona, capital da Comunidade Foral de Navarra, no Norte de Espanha, centro de atenção. As festas começam a cada 6 de Julho, na praça do Ayuntamiento de Pamplona, com o Chupinazo, o foguete lançado da varanda que segue o grito que é invariavelmente aclamado por uma multidão de milhares de pessoas com lenços encarnados:

"Pamplonesas,
Pamploneses,
¡Viva San Fermín!
Iruindarrak,
Gora San Fermín!"

Nos 8 dias seguintes, às 8h em ponto (podem ver todos os dias na TVE, às 7h...) têm lugar os espectaculares encierros, as corridas com os touros, desde um determinado ponto da cidade e durante 800 alucinantes metros, até à praça de touros, onde durante a tarde são toureados. Milhares de jovens e menos, correm à frente, ao lado e atrás dos touros. Hoje, terceiro dia dos Sanfermines de 2008, teve lugar um dos mais perigosos e espectaculares encierros. Fica o vídeo.

domingo, 6 de Julho de 2008

Mais casamento

Primeiro de quatro...

O primeiro de quatro casamentos deste Verão foi ontem, na Madre de Deus e com festa no Beato. Presidency revival, foi para os mais novos festa até ao limiar da aurora. Auge foi a música do Dartacão, em que os três mosqueteiros saltaram sem fim. Como será evidente das fotos, a Joaninha estava linda nos seus dois vestidos. Para os que se queixam amargamente de ausência de fotos, aqui ficam as primeiras. A colecção completa chegará um dia...

sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Novo santo português

Não falo, ainda, de Pinto da Costa. Lá chegará o dia em que alguém se irá lembrar de propor ao Papa a sua subida aos altares. Falo do Beato D. Nuno Álvares Pereira, Condestável de Portugal, cujas virtudes heróicas foram reconhecidas pelo Vaticano num decreto de ontem. Era o passo que faltava no processo de canonização, faltando agora apenas saber a data escolhida pela Santa Sé para a cerimónia de canonização. Fica, para os esquecidos, um pouco de história.

D. Nuno Álvares Pereira, tem, mais que nos altares, um lugar na História de Portugal. Filho de um Prior do Crato, nasceu em 1360 na já nossa conhecida Flor da Rosa, sede da Ordem de Malta em Portugal. Foi um reconhecido responsável pela manutenção da independência de Portugal face a Castela na crise que se sucedeu à morte do Rei D. Fernando I. Apoiante de D. João I, Mestre de Avis, venceu a famosa Batalha de Aljubarrota, com a ajuda de uma mais famosa padeira, Brites de Almeida.

O título de Condestável (segunda figura da hierarquia militar, depois do Rei) foi-lhe conferido por D. João I, bem como os títulos de Conde de Ourém, de Barcelos e de Arraiolos. Todos estes títulos são hoje ostentados pelo Duque de Bragança, na sua qualidade de Chefe da Casa de Bragança, da qual D. Nuno Álvares Pereira é considerado o fundador: a sua única filha, D. Beatriz Pereira de Alvim, casou com o filho bastardo de D. João I, D. Afonso, primeiro Duque de Bragança, cuja descendência veio a ocupar o trono, primeiro na pessoa de D. João IV.

Falta dizer que, depois de envuivar, D. Nuno Álvares Pereira abraçou a vida religiosa e tornou-se carmelita no Convento do Carmo, em Lisboa, (cuja construção ele próprio ordenara) com o nome de Frei Nuno de Santa Maria. O seu túmulo, no mesmo Convento, foi destruído com o terramoto de 1755, mas no seu túmulo estava inscrito, segundo a wikipedia: "Aqui jaz o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou esta igreja onde descansa o seu corpo."

Lost photos from... Berlenga!

Ah... enfim as fotos da Berlenga que faltavam. Verão a vizinha de que vos falei, uma castiça ao melhor estilo penicheiro, com quem tirámos uma foto enquanto víamos o desaire com a Alemanha. Mais algumas fotos que me enviaram entretanto os meus amigos d'infância, incluindo o resultado final de uma cujo making off já figura! Brilhante! A foto comigo numa posição... estranha... diz respeito ao passeio pelo bairro social e empunho, além da máquina fotográfica, que aproveito para vos apresentar, a minha arma de defesa contra os vermes voadores. Como vêm, não ia longe...

Ingrid Betancourt

A libertação da ex-candidata à Presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, foi já alvo de numerosos comentários, pelo que quase sobra falar do assunto. A operação de salvamento foi perfeita, como a própria qualificou, ao melhor estilo Hollywood e com certeza será alvo de adaptação. Li hoje um comentário que a compara a Nelson Mandela, cujos 90 anos foram recentemente celebrados em Londres, pela dignidade e impressionante compostura que tem mostrado desde que apareceu em público pela primeira vez.

Ingrid Betancourt, que nos últimos meses foi dada quase como morta, assumiu, com uma sobriedade e simplicidade impressionantes, o protagonismo da política internacional, tendo chegado hoje a Paris para uma recepção no aeroporto pelo Presidente Sarkozy e a Senhora de Sarkozy, honra prestada normalmente só a Chefes de Estado. A libertação da colombiana é, na verdade, uma enorme vitória política para o Presidente francês, que pessoalmente se empenhou na causa da libertação de Betancourt.

Vão, com certeza, chover merecidos prémios por esta dignidade e pela forma sublime como falou das questões subjacentes ao seu salvamento, a necessidade de continuar a lutar contra as FARC e o que representam e de se alcançar a paz na Colômbia, através de entendimentos com quem já mostrou ter contactos com a organização, um tal de Chávez. Ingrid Betancourt tem a oportunidade de se tornar numa personalidade ímpar a nível internacional, mas o seu compromisso com a política interna colombiana poderá ser ainda uma realidade. Independentemente disto, conquistou, na minha modesta opinião, com o seu comportamento durante estes dias, um lugar na história.

quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Gandhi e a verdade

Estou a ler a autobiografia de Mahatma Gandhi, um livro sobre as suas experiências com a verdade. Falta-me ainda grande parte, mas já descobri curiosidades sobre a vida de Mohandas K. Gandhi, inclusive algumas que o aproximam de pessoas que conheço, como o facto de ele ter em pequeno fumado com um parente beatas de cigarro deixadas por um tio (estamos a falar de 1870 e poucos) - tudo porque achava graça aos círculos de fumo que se formavam no ar. Descobri também que se casou aos 13 anos (13!!!) e os seus comentários sobre a luxúria são muito curiosos.

O livro contém observações de Gandhi acerca das suas experiências com diversas religiões e citações de textos que dão que pensar. Confesso que o meu conhecimento sobre a vida do Pai da Nação Indiana não é satisfatório, pelo que estou realmente a aprender muito. Mas gostava de destacar um frase que li hoje e que me parece um tiro certeiro, que não me deixa incólume: "Para mim, tem sido sempre um mistério o facto de alguns homens se sentirem gratificados pela humilhação dos seus semelhantes."

Passeio ao fim da tarde

Ficaram para hoje as fotos do meu passeio de terça-feira ao fim da tarde, na praia da minha vida, o meu Baleal. Aqui ficam, com um bónus: duas fotos do pôr-do-sol de ontem, extraordinário, com as nuvens a dar uma ajuda para as fotos.

O pôr-do-sol de ontem:

quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Cidade e praia

Ontem tive direito a um passeio inesperado por Coimbra, cidade que desconhecia quase absolutamente. Como não tinha bem noção do tempo que ia ter, comecei a passear na baixa, com uma visita à belíssima Igreja de Santa Cruz. Só quando lá estava dentro é que me lembrei que é naquela igreja que estão sepultados, frente-a-frente os dois primeiros Reis de Portugal. Os túmulos são verdadeiras obras de arte, tal como a monumental entrada da Igreja. Tal como na Sé de Faro, o órgão encarnado destaca-se... demasiado. Mas há, ainda assim, uma harmonia bem conseguida entre os azulejos e o manuelino da arquitectura.

Depois visitei a Sé Velha, que só tinha visto nos livros de história da escola primária, quando nos ensinaram que era o mais importante exemplo de arte românica em Portugal. Impressiona pela solenidade sombria, mas também pelo altar que de certa forma contraste com a estrutura de pedra. O claustro, como quase todos, é uma espécie de paraíso perdido no meio de uma cidade. Tem uns belos azulejos à venda, reprodução de azulejos da Sé.

Continuei o meu passeio, subindo mais, sempre. Até que cheguei à fantástica Universidade, que domina a cidade não só do ponto de vista arquitectónico e paisagístico, mas sobretudo do ponto de vista social, económico e cultural. Não tive muito tempo e ficou por ver a maior parte. Tenho de regressar porque não duvido que valha muito a pena e pelo menos a Biblioteca é um lapso imperdoável. Ontem, porém, não podia ser. Animou-me o facto de saber que regressava ao sol, à praia, mas não pensava que o meu fim de tarde viesse a ser tão retemperador. Um longo, descansado passeio pela praia, com maré vazia, como nos tempos em que se ia à pesca!, terminou com mais uma sessão fotográfica, desta vez com máquina a sério - ficam para outro post.

terça-feira, 1 de Julho de 2008

Um ano depois...

Começou há um ano atrás a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia. Foi o início de um período fantástico, mas não foi um bom dia, como não foi boa a semana, nem bom foi o mês. Águas passadas. Hoje foi um dia bem mais calmo, com direito a visita inesperada ao túmulo do primeiro rei e um longo passeio na praia. Fotos depois.

El amor en los tiempos del cólera

Acabei hoje de ler El amor en los tiempos del cólera, o romance de 1985 do Nobel colombiano Gabriel García Márquez, na versão original. Foi o primeiro livro que li dele e gostei muito, embora talvez tivesse escrito um final diferente, se a mim coubesse a inspiração. É uma história de amor pouco comum (a cólera não é mais que a baliza temporal), mas é também um belíssimo documento sobre várias dimensões do amor e sobre as formas de o viver. Não sei se a adaptação ao cinema, de que acabei de ver os trailers, com Javier Bardem no papel de Florentino Ariza, personagem central do romance, estará à altura - para começar, um filme gravado na Colômbia, sobre colombianos, deveria ser em castelhano, não em inglês com sotaque... o mais colombiano acaba por ser a Shakira, que gravou um tema para o filme.