






A Riddarholmenskyrkan e o brasão de D. Manuel II, última foto antes do regresso à pátria:
LIMIAR. do Latim liminare: soleira da porta; patamar (da mesma, de outra ou de uma escada, tanto faz); entrada; começo. CHIQUE. do Francês chic: elegante no trajar (e modesto); esmerado; catita; peralta; casquilho.
Algumas igrejas são definitivamente merecedoras de visita, que eu sou chegado a ver uma igreja, a belíssima Igreja Alemã, cuja torre se impõe na Gamla Stan, a Storkyrkan - a catedral -, a Capela do Palácio Real e a Riddarholmskyrkan - o panteão dos reis da Suécia que tem também as armas, através dos séculos, dos membros da Ordem do Serafim. Junto ao altar, em alguma evidência, as armas do Rei D. Manuel II. Foi a última foto que tirei, à socapa, que não se podia. Mas que mal faz? Este gosto por locais mais ou menos funerários persegue-me há algum tempo, diz-se que é característica deste romantismo de século XIX de que padeço.
O Palácio Real é também impressionante, tanto o que se pode como o que não se pode visitar. Domina a cidade, razão pela qual foi o local escolhido para o primitivo castelo cujo lugar ocupou. Em vez de ter uma frente, tem quatro e mais que residência real, foi durante séculos o centro da vida política e judicial do país, com todas as instituições ali concentradas, algo que explica o seu colossal tamanho. Na Rikssalen, ou Sala do Trono (este de prata, que já serviu de modelo para tronos em filmes, escapa-me quais, mas acho que um era no Batman), abria-se em esplendor o Parlamento sueco até 1975, que então tudo mudou e o socialismo dominou a sociedade e bem tentou terminar a monarquia, sem conseguir, Deo gratias. Por falar em monarquia, as jóias da Coroa valem uma visita.
O que mais me impressionou? Sem dúvida o Vasa. Nunca dele tinha ouvido e nunca dele me vou esquecer. Ora, numa história digna de um filme, o espectacular navio teve a 10 de Agosto de 1628, faz agora 380 anos, a sua viagem inaugural. Impressionante navio de guerra de 69 metros e 68 canhões, era profusamente decorado, com coloridas estátuas e as armas reais de Gustavus Adolphus. Nesse dia partia para se juntar à guerra (que se chamaria dos Trinta Anos, mas que então não se sabia quanto ia durar), com Estocolmo inteira nas margens das suas ilhas para ver o imponente Vasa levantar âncora. E ao fim de uns 20 minutos de terem sido içadas as velas, a multidão terá estranhado ver o navio de banda, cada vez mais e mais... até que ficou claro que não iria longe.
O Vasa afundou-se perante muitos olhares: incrédulos e desesperados, da população e dos familiares dos tripulantes e dos soldados que iam a bordo; de vergonha, dos membros da Armada sueca e dos membros do Governo (o Rei estava, bom para ele!, no estrangeiro); e algo jocosos, dos embaixadores estrangeiros, mesmo os aliados, acreditados em Estocolmo, que certamente mandaram belas descrições na volta do correio, diplomático, está bem de ver. Ficou no fundo do mar, onde acaba o lago (Mälaren de seu nome), durante 333 anos, até um louco o içar em 1961, para que a cidade inteira, maravilhada, descobrisse que a mistura de águas doce e salgada o tinham conservado pelos séculos, intacto a 95%, sem as cores, é certo, mas inacreditavelmente esplendoroso e digno de visita. Vale a visita a Estocolmo.
Menção à Waldermarsudde, a casa apalaçada do Príncipe Eugénio, um dos artistas, o mais talvez, na família Bernardotte. Fica, elegante, na ilha jardim de Estocolmo, a Djurgården, o antigo parque de caça da Família Real. Hoje é um museu de arte moderna (a colecção do Príncipe), com exposições temporárias de arte contemporânea. O Príncipe não pintava mal, mas a visita vale pela casa, pelas vistas e pela luz que tem. Finalmente, já estão os leitores cansados e não andaram o que eu andei!, a impressionante Câmara Municipal de Estocolmo, o enorme edifício de inspiração italiana - ao longe parece o Palácio dos Doges, em Veneza... - onde todos os anos tem lugar o acontecimento social do ano, o banquete dos Prémios Nobel. Venham as fotos, que foram muitas... as que ficaram antes são as das vistas, agora vão os detalhes.
Uma cidade com uma harmonia muito especial entre todos os ingredientes que me fazem acreditar que é possível levar ali uma vida saudável como em poucas, de bicicleta ou em longas caminhadas, com ar fresco e puro, vindo do mar ou do lago, nem se percebe bem onde acaba um e começa outro. Os canais não o são bem, são antes isso mesmo, uma mistura de lago e de mar. O céu que nunca escureceu totalmente, apesar de passar já um mês do solstício, foi uma das coisas que mais me fascinou e que quase me deixou sem dormir na primeira noite, ora se era dia! Também de dia são diferentes as cores do céu, que parecem digitalmente alteradas e deram algumas belas fotos.
O relato das minhas visitas culturais ficam para outro post, já de seguida para não perder o ânimo. Mas aqui fique também notícia, já ontem mencionada, da minha visita a Vaxholm, a capital do Archipelago de Estocolmo, um conjunto de largos milhares de pequenas ilhas cuja população se multiplica por muitos no Verão. As águas do Báltico perto da cidade são o destino de férias de muitos habitantes de Estocolmo. Vaxholm é uma cidadezinha pouco interessante, com uma fortaleza onde há um restaurante com muito bom ar e boa música. A fortaleza, última defesa de Estocolmo que duas vezes salvou a cidade, foi abandonada depois do primeiro teste à sua nova construção. O navio de guerra colocou-se em posição e disparou: o fogo atravessou a parede completamente, e as autoridades acharam melhor esquecer Vaxholm enquanto defesa de Estocolmo, se a si própria não se podia defender...






















D. Nuno Álvares Pereira, tem, mais que nos altares, um lugar na História de Portugal. Filho de um Prior do Crato, nasceu em 1360 na já nossa conhecida Flor da Rosa, sede da Ordem de Malta em Portugal. Foi um reconhecido responsável pela manutenção da independência de Portugal face a Castela na crise que se sucedeu à morte do Rei D. Fernando I. Apoiante de D. João I, Mestre de Avis, venceu a famosa Batalha de Aljubarrota, com a ajuda de uma mais famosa padeira, Brites de Almeida.
O título de Condestável (segunda figura da hierarquia militar, depois do Rei) foi-lhe conferido por D. João I, bem como os títulos de Conde de Ourém, de Barcelos e de Arraiolos. Todos estes títulos são hoje ostentados pelo Duque de Bragança, na sua qualidade de Chefe da Casa de Bragança, da qual D. Nuno Álvares Pereira é considerado o fundador: a sua única filha, D. Beatriz Pereira de Alvim, casou com o filho bastardo de D. João I, D. Afonso, primeiro Duque de Bragança, cuja descendência veio a ocupar o trono, primeiro na pessoa de D. João IV.
Falta dizer que, depois de envuivar, D. Nuno Álvares Pereira abraçou a vida religiosa e tornou-se carmelita no Convento do Carmo, em Lisboa, (cuja construção ele próprio ordenara) com o nome de Frei Nuno de Santa Maria. O seu túmulo, no mesmo Convento, foi destruído com o terramoto de 1755, mas no seu túmulo estava inscrito, segundo a wikipedia: "Aqui jaz o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou esta igreja onde descansa o seu corpo."





Depois visitei a Sé Velha, que só tinha visto nos livros de história da escola primária, quando nos ensinaram que era o mais importante exemplo de arte românica em Portugal. Impressiona pela solenidade sombria, mas também pelo altar que de certa forma contraste com a estrutura de pedra. O claustro, como quase todos, é uma espécie de paraíso perdido no meio de uma cidade. Tem uns belos azulejos à venda, reprodução de azulejos da Sé.




Continuei o meu passeio, subindo mais, sempre. Até que cheguei à fantástica Universidade, que domina a cidade não só do ponto de vista arquitectónico e paisagístico, mas sobretudo do ponto de vista social, económico e cultural. Não tive muito tempo e ficou por ver a maior parte. Tenho de regressar porque não duvido que valha muito a pena e pelo menos a Biblioteca é um lapso imperdoável. Ontem, porém, não podia ser. Animou-me o facto de saber que regressava ao sol, à praia, mas não pensava que o meu fim de tarde viesse a ser tão retemperador. Um longo, descansado passeio pela praia, com maré vazia, como nos tempos em que se ia à pesca!, terminou com mais uma sessão fotográfica, desta vez com máquina a sério - ficam para outro post.
