segunda-feira, 30 de Junho de 2008
Diz o roto para o nu...
domingo, 29 de Junho de 2008
sexta-feira, 27 de Junho de 2008
O Alentejo nos meus livros
y... ¡Viva España!
P.S.: O título do Público sobre a vitória é que não é brilhante... "
A vitória que deixou a princesa Letícia de boca aberta"quinta-feira, 26 de Junho de 2008
Crónicas da Berlenga V
Crónicas da Berlenga IV
Na verdade, foram antes gaivotas que efectiva e literalmente desceram sobre nós. Tinha prometido aos meus companheiros de exílio uma visita a um verdadeiro bairro social (grego, maltês, não interessa): na minha última visita ao arquipélago, há 2 anos, tinha ficado com essa sensação de passar no casal ventoso das gaivotas, durante o meu passeio matinal pelo trilho das Buzinas. Enfim, estava pior ainda! Desta vez nem o trilho se conhecia, uma vergonha de reserva aquela!, e o perigo estava no auge, com ataque atrás de ataque, e o incessante grito cacarejado de alerta, que nos levava à loucura quase.
A certa altura senti o perigo a milímetros da cabeça. Havia de me dizer a autoridade militar, o Agente R., que desde que lá está, início de Junho, houve duas senhoras que chegaram ensanguentadas à sua autoritária presença, vítimas de bicos de gaivota. Perto estive e não me deixam mentir os meus companheiros de terrorífica viagem, que assistiram, pálidos que estavam. Quando prometi uma visita a um bairro social, não exagerei. Violência doméstica, barulho, falta de maneiras e perigo constante, não um bairro social qualquer, um perigoso. Sabia ao que ia, mas não pude deixar de ter medo bastante. O passeio acabou com uma sugestiva sessão fotográfica e com mais uns momentos para a câmara do M..
Jogámos e ganharam os homens (sic) ao olho - que não se pode dizer de onde - para fúria displicente da A., cujas regras em boa hora surgiram, a meio do jogo. Esqueci-me, lembrei-me agora, de contar outra história do primeiro dia, em que umas meninas histéricas (não sei que idade tinham, eram jovens q.b.), ao passarmos eu e o M., uns jovens também, psicologicamente uns miúdos, rumo ao nosso banho - ahhhh, também não contei os nossos fantásticos banhos ao final da tarde, no mar gelado? - julgaram que lhes íamos ocupar a cabine de banho (gelado e salgado também, mas de chuveiro); passado o perigo, gritou uma para a outra (eram histéricas, já disse, da idade): "vinham aí dois homens!". Bem sei, ter 26 anos não é ser novo. Homens pois, qualquer dia já dizem "vinham aí dois cotas!".
Novo fim de tarde com grelhados (outro jantar delicioso), conversas francas e eloquentes, com o mar como pano de fundo, um bem-estar roçando a perfeição dos momentos, com o céu a abrir enfim, a tempo de ir ver o pôr-do-sol, depois das fotos, as primeiras a quatro. Ganhou outra vez a A. nessa noite no UNO; a companhia foi a mesma e óptima, os batoteiros cada vez mais, todos muito divertidos, eu com péssima sorte. Pequena brincadeira para a vencedora, um brinde ao mau perder!, a solidão inesperada à porta de casa, da parte de fora, sem chave, gravada em vídeo, com direito a gargalhadas. Belo fim de noite e estávamos, por esta hora, clandestinos.
quarta-feira, 25 de Junho de 2008
Crónicas da Berlenga III, outra morte
terça-feira, 24 de Junho de 2008
Crónicas da Berlenga II ou a estranha morte de uma gaivota
Crónicas da Berlenga
A meio caminho, um gentleman elogiou o “cabedal” da A., a quem ofereceu ajuda. Viemos a saber mais tarde ser o senhor Vasco, que aos 79-quase-80 anos (será em Novembro: é escorpião e tem, segundo ele próprio, todas as características do signo, o melhor, também segundo ele; é modesto) passa as suas férias na Ilha e sobe diariamente ao farol para dar almoço e jantar ao Farol, cão eremita, único na Ilha, por ser militar: um puro rafeiro, não se pense que é um pastor alemão, que de alemães ficaríamos nessa mesma primeira noite fartos.
Mas a frase deste primeiro dia veio no alto da escarpa com a mais pura pronúncia de Peniche, que a escrita não pode infelizmente ilustrar na perfeição mas da qual o erro gramatical dará alguma noção: “Trouxerem tudo?” Limito-me a transcrever a frase que deu início a uma breve mas sugestiva conversa, apenas uma das que esta singular vizinha (que teve direito a foto, que virá depois) do Bairro dos Pescadores teve com vários de nós ao longo destes dias. A censura, sinal felizmente ido de tempos também eles idos em que a Berlenga não era mais que um selecto destino de férias, encarrega-se do resto das conversas. Mas a vizinha tem inegavelmente graça e muita presença de espírito.
Transformámos a pequena casa em glamouroso lar e a ilha quase em grega, com o toldo branco a distinguir a nossa presença no meio do Atlântico-quase-Mediterrâneo. Sobre nós pairava a companhia mais certa nesta pequena ilha: as gaivotas. Estranhamente espertas, delas voltarei certamente a falar, por ser inevitável – são largos milhares e estão irritantemente coordenadas. Mas tudo isto ficará para a narração de um segundo dia. O primeiro acabou com uma derrota, a de Portugal. Teria sido bem original, celebrar a passagem às meias finais no meio do oceano, mas não foi desta.
Depois do jantar, demo-nos a conhecer e conquistámos a sociedade da Ilha – não foi propriamente uma festa, mas podia ter sido, com direito a autoridade militar (e não era o cão) e a chefe de cozinha: na esplanada do restaurante jogámos renhidamente ao UNO durante umas horas e, ao apagar geral das luzes (sim, não há luz durante a noite na Berlenga), que foi nesse dia pontualmente à 1h, tinha-se finalmente invertido o resultado, para gáudio da A.. Não obstante saber, como todos, da sua vitória, obrigou a contar ponto por ponto, para que ficasse escrito o ganho. E negou mau perder, pois não perdeu. Falta dizer que a contagem tivemos de a fazer… às escuras. Valeu o facto de a noite estar clara, com a lua cheia espelhada no mar… e de haver uma lanterna.
domingo, 22 de Junho de 2008
Regresso à pátria
Regressei, estimados leitores, do meu exílio. Dourado, sim, embora não tanto quanto eu teria gostado... nunca me posso esquecer que a minha província - onde se integra a Ilha da Berlenga, para onde me exilei - tem um microclima muito específico que resulta em neblinas e nuvens quando o remanescente país está sob um sol abrasador. Foi o que aconteceu em dois destes quatro dias, aproveitados, à falta de sol, em visitas aos vários bairros da ilha, algo de que darei mais detalhes amanhã: não vou conseguir relatar hoje estes magníficos dias, nem documentar a minha estadia com as fotos.
Quero, porém, dar conta de que venho descansado, muito descansado, e de que passei uns dias muito bons, rodeado por amigos com quem vou estando, mas raramente durante tanto tempo. E foi uma óptima experiência, a repetir; porque da "diversidade de dons espirituais" (Cor 12, 3b-7.12-13), da mistura de feitios e formas de estar, das qualidades e dos - raros - defeitos, resulta uma "harmonia harmónica" (sic, aulas de filosofia do 12.º ano), um natural bem-estar em conjunto. E neste ambiente desarmado, quase fora do mundo, conseguimos passar óptimos momentos, divertidos uns, profundos outros.
Enfim, qual Imperador regressado à pátria!, vou descansar antes de antender às súplicas e ao despacho que se acumulou durante estes quatro dias, que foram, no mundo, de congressos, casamentos (diz-que) reais e de jogos de futebol mais ou menos inglórios. Sobre tudo isto dormirei e deixarei cair a minha atenção... amanhã.
quarta-feira, 18 de Junho de 2008
Breve nota ao partir para o exílio
domingo, 15 de Junho de 2008
Inadaptado
Tonto serei
Barcelona, un año después...
Deixo fotos, que é uma das minhas artes.
Reflexões de uns dias...
No regresso a Lisboa, conta é dada de que algo falta. Ideias não faltam para vencer a crise: amestrar cavalos para conduzir os coches do museu em Belém surge como possibilidade. Estado de sítio, polícia, sirenes, pirilampos. Filas nas bombas de gasolina, notícias de camiões apedrejados, e não querem que se prendam os piquetes? Greve sim, façam. Mas deixem quem quer trabalhar, que o direito ao trabalho está tanto na Constituição como o está o à greve. E depois dos taxistas e dos agricultores, farão greve com certeza os advogados e talvez suspenda a minha suspensão para poder grevisar também.
Brincamos aos dias nacionais nós e está o país neste estado, que de tão sedento de combustíveis não celebra condignamente o apuramento europeu e os golos da equipa maravilha, que não lhe apareçam laranjas pela frente, de tal forma mecanizadas se apresentaram até agora. Novo dia, fim de ciclo. Contas feitas, terminou o melhor ano e meio da minha vida. Não sei por onde vou agora, o que vou fazer ou onde vou estar. Por aí, disseram alguns. Sim, por aí estarei. Não sei por quanto tempo, que este país dá vontade de fugir demasiadas vezes. Mas sempre com as recordações deste tempo esplêndido que de Dezembro de 2006 a Junho de 2008 me viu passar por palácios e guardas de honra, esplendores e noites mal dormidas, parte de uma equipa, essa sim verdadeira maravilha, que derrotaria laranjas, mecânicas ou outras. Vou ter muitíssimas saudades, mas faz parte.



























































