sábado, 31 de Maio de 2008

Rock em imagens

Rock de fim de mês

Termina hoje um dos meses mais preenchidos da minha vida profissional. Entre vénias e galas, barcos e cortejos, honras e banquetes, pouco tempo restou. Ontem, finalmente, a necessidade absoluta de descanso levou-me a um parque de Lisboa, onde tive oportunidade de disfrutar da calma que a companhia de outras 90.000 almas transmite... a fabulosa atmosfera do Rock in Rio é contagiante, faz-nos esquecer não só os leves dissabores que a vida nos vai dando, mas sobretudo os preços dos combustíveis e a chuva que regou este mês de Maio, tantas vezes Verão um pouco antecipado, desta feita Outono totalmente fora de época.

A gloriosa massa humana estava ansiosa por Amy e foi Winehouse no seu estado mais puro que teve: tavernosa como só ela, apareceu com uma rouquidão de bagaço que infligiu desalento entre os fãs. É certo que pediu desculpa, mas se em vez de se drogar violentamente nos dias anteriores tivesse comido mais pastilhas para a garganta, talvez tivesse tido uma prestação mais decente e digna da minha presença. Salvou a noite Lenny Kravitz, que esteve fabuloso e elevou os espíritos desalentados. O meu tempo, agora, é de cantar: I want to get away...

quinta-feira, 22 de Maio de 2008

A romaria

Hoje foi a primeira comunhão do meu sobrinho mais novo... e de outras 80 crianças que, a multiplicar por vários familiares, padrinhos e madrinhas, tios, primas e piriquitos, dominaram a irrespirável Missa do Santíssimo na minha medieval igreja, tão pouco habituada a enchentes nos dias que correm, parcos em eloquência e habilidade sacerdotais. Rodeado de escuteiros, lá assisti a mais uma missa que destacou pela já habitual falta de jeito, que nunca foi tão evidente como na Semana Santa de que não pude falar, por falta de ocasião.

Enfim, terminada a missa, (des)organizou-se uma caótica procissão, sem qualquer dos participantes percebesse qual era o seu lugar ou o formato que a devoção andante deveria tomar. Lá começaram a avançar os da frente, com os de trás na mais perfeita desordem, entre escuteiros e crianças vestidas de branco - ainda há muitas noivas em miniatura na província, nestes solenes dias!

Errante, sem o meu guarda-chuva da PPUE, segui Rua Direita acima... Chegada a arrepiantemente descomposta romaria ao largo da outra igreja, começou a chover solenemente, sem piedade cristã. E o caos tornou-se quase hilariante, com cruzes, acólitos e pálios, escuteiros e noivas em miniatura a correr andando pela mesma rua abaixo, que tempo não havia para serpentear pelas outras ruas e o refúgio medieval prometia algum conforto à cristandade incomodada com os desígnios de São Pedro. E, regressados ao conforto da casa do Pai, foi daí em diante uma algazarra indescritivelmente pouco pia...

domingo, 18 de Maio de 2008

E viva o Sporting!

Reflexão cinéfila

Depois de uma noite em que os bares e restaurantes pareciam fechar-se à minha passagem e de um dia profundamente improducente, que até junk food me viu comer depois de uma tormentosa e rápida passagem por um shopping inexplicavelmente mal cheio, apetece-me referir os filmes que vi na semana passada e que me impressionaram. Em comum têm a violência, ainda que de natureza diferente. Primeiro a Cidade de Deus, que estava por ver à demasiado tempo e que me pareceu brilhante. A forma humorística como a violência na favela Cidade de Deus é apresentada é notável mas essa violência é, como certamente é na realidade, chocante. Aguardo a adaptação do Ensaio sobre a Cegueira de Saramago no Blindness, do mesmo Fernando Meirelles.

Depois vi o Apocalypto, do Mel Gibson, que é de uma violência atroz e, segundo vim a ler, muito provavelmente exagerada. Não sei se Gibson tem alguma tendência para a autopenitência através da filmagem de cenas violentas. Depois das bárbaras imagens de violência sobre Cristo na sua Paixão de Cristo, mostram-se aqui cenas de uma selvajaria pouco condizente com o reputado avanço da civilização Maya e que muitos vieram depois contestar, junto com as acusações de pouco rigor histórico (contrastando com a fiel adaptação dos Evangelhos no filme anterior). Na verdade, a mensagem que resulta do filme é a de que os cristãos espanhóis que erradamente, do ponto de vista do rigor histórico, desembarcam no final do filme, em muito boa hora chegaram para aniquilar a civilização Maya. Isso mesmo quer Gibson significar com a frase que abre o filme. Se me parece que é possível que a frase seja acertada, não sei se justifica a cristianização violenta praticada na América:

"A great civilization is not conquered from without until it has destroyed itself from within."

sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Balada da neve

Esta semana, as chuvas de Maio trouxeram inadvertidamente à memória da Sala Azul um verso da Balada da neve, de Augusto Gil. Era chuva, naquele caso. É certamente um dos poemas mais repetidos em Portugal, ainda que apenas em parte. Eu pelo menos, que longe estou de ser exemplo no que a cultura literária se refere, desconhecia os mais pitorescos versos. E, em atenção à minha ignorância embaraçada pelo recital que se seguiu à minha inusitada menção da chuva e da gente, aqui deixo o poema, trágico q.b..

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.


É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.

quinta-feira, 15 de Maio de 2008

mensagem sem título...

Não escrevo por aqui há algum tempo. Entretanto passaram dias que ficam certamente na minha memória, nos lustres da minha história, dias de vénias e de galas, de barcos e de molduras perdidas e erroneamente achadas. Aproxima-se também o final de um capítulo extremamente positivo da minha vida e do qual vou ter muitas saudades. As despedidas ficam, no entanto, para outro dia, melhor. Tudo isto é hoje mais ou menos insignificante. Melhores dias virão, assim Deus queira.