domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Sol de Inverno & Desfolhada

Simone de Oliveira faz 50 anos de carreira... depois dos Da Vinci, parece-me bem recordar as duas prestações de Simone na Eurovisão: Sol de Inverno, em Nápoles, 1965; A Desfolhada, em Madrid, 1969.


A natureza imperial da Rússia e o Kosovo

Dizia eu outro dia que talvez me enganasse a propósito do reconhecimento do Kosovo pelas grandes potências. "Como fica a Rússia depois do reconhecimento pelas potências ocidentais?" perguntava eu. No Público de hoje há um artigo interessante sobre este assunto, chamado "Rússia: Uma vez império, império para sempre?". O artigo cita Philip Longworth, um estudioso da Rússia, que defende a vocação imperial da Rússia, que explicaria que um Império tantas vezes caído renasça sempre, qual fénix.

Continuamos, na minha opinião, no tal clima de quase-guerra-fria de que também falei na semana passada. Tal como as potências ocidentais não hesitaram ao dar o seu apoio ao novo Kosovo - desafiando o Presidente Putin - também a Rússia não cedeu perante o desafio que esse reconhecimento representa. Mas será que esse desafio se ficará só pelas palavras? Está em causa o nascimento de um novo Estado, que será um facto consumado caso não haja reacção rápida por parte da Sérvia e dos seus aliados. Essa reacção seria, provavelmente, uma intervenção militar, uma vez que a mera acção diplomática não surtirá já efeito.

Ora, a Guerra Fria foi, no essencial, precisamente isso: fria. Sem agressões militares directas por parte das potências. Neste momento da História, parece-me que qualquer agressão ao Kosovo pela Rússia ou por esta patrocinada teria implicações potencialmente imprevisíveis, a não ser que o Ocidente cobardemente se recusasse a defender o pequeno novo país dos Balcãs. Recuaria assim a coligação Bush-Sarkozy-Merkel-Brown ante um Putin e a sua ameaça de Rússia-toda-poderosa e agressiva? Não sei responder, mas o que ouvimos e vimos do carácter de Sarkozy faz-me duvidar desse recuo. Recuará Putin? A inacção será um recuo; a acção efectiva poderá ser um passo maior demasiado grande.

sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

Mea culpa, mea maxima culpa

Not a good day, não senhor. Irrita-me esta estupidificante incapacidade para perceber, num dado momento, que a minha direita é a esquerda do senhor que está à minha frente. Not a good day.

quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

E para recordar a noite de sexta...

Estes senhores eram fantásticos ou quê!?!? Que saudades de músicas giras no Festival da Canção... Reparem bem, take notice das moças lá atrás. Um delírio...

Filmes da semana (e meia)

Para tentar reduzir o espanto que me aflige e que é motivado pela tamanha debilidade da minha cultura cinéfila, pus mãos à obra. Tratei de adicionar à minha lista todos os filmes (relativamente decentes e recentes) que tenho por ver. São realmente muitos - numa primeira contagem cerca de 60.

A semana e meia que passou foi particularmente frutuosa. Na segunda-feira começou mal: revi o "Magnolia". Mão me lembrava ter visto porque não tinha visto inteiro. Assim que vi o Cruise naquela personagem estranha percebi que cometera um erro. E não me lembrava dos sapos. Digamos que não é o meu género. Na terça vi uma comédia romântica bem simpática, com um par dificilmente superável em termos de concentração de beleza / bom ar: Cameron Diaz e Jude Law. A Kate Winslet está, como sempre, muito bem. "The Holiday" - tradução literal "As Férias" - deu em português "O amor não tira férias". Curioso, no mínimo. Muito light, muito positivo. Sobretudo porque são todos giros e ricos e acabam todos felizes.

Quarta vi o "Hotel Ruanda". Muito impressionante. Muito bom. Perceber que tudo aquilo e que não só aconteceu recentemente como continua a acontecer é particularmente angustiante. Muitos Paul Rusesabagina para fazer alguma coisa por África, é o que podemos pedir. No dia dos namorados algo ainda mais pesado mas igualmente muito bom: "21 gramas". Extraordinária violência psicológica, num filme que nem sequer tem muitas cenas de violência. A forma como está construído transforma-o de forma brilhante num drama permanente.

Algo muito mais light na sexta-feira, para terminar a semana. "Ocean's 13". Tinha visto o 12 dias antes desta saga. Alguma graça, nada de especial. Falta o encanto feminino que havia nos anteriores. Nada como o 11. No Sábado fui ao cinema: "Jogos de Poder". O Afeganistão numa perspectiva pré-talibã e pró-talibã. Interessante por isso, por mostrar quem levou os talibã a onde estão. Não é brilhante. Hoje, "As Horas". Muito, muito bom. Na minha estupidificante falta de cultura nesta área, nem me lembrei que era a Nicole Kidman e não a reconheci. A Julianne Moore é muito gira.

quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

Mais cartoons

Mais dois cartoons, desta vez do Telegraph, a propósito dos posts dos últimos dias.

terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

Notícias da terra: "Porco à solta"

"Depois de ter conseguido com uma certa artimanha fugir da sua possilga, quem sabe na expectativa de encontrar um namorado, este suíno do sexo feminino pesando cerca de 150kg vagueou pelas ruas da Bufarda.
Seguido por alguns populares o animal conseguiu encontrar o rumo da sua morada o que permitiu às pessoas saber quem era o seu dono que, avisado, de imediato conduziu o "inteligente" animal até à sua morada (possilga) onde foi fechado com segurança reforçada."

Ora, sendo a Bufarda (lindo nome, de resto) uma das terriolas da minha freguesia rural, seria bom alguém alertar o autor da notícia publicada no jornal da terra, para os seguintes factos:

- isto não é notícia;
- quando muito será relevante pelo facto de o animal se sentir sozinho;
- alertar a ASAE para a existência de possilgas [sic] não é bom;
- enfim, possilga [sic] é com c.

Hasta siempre!

Dias históricos estes. Um novo país, um ditador que se retira. Fidel Castro, figura mítica da política internacional anunciou hoje que se retira como Presidente e como Comandante das Forças Armadas. A carta pela qual anuncia a sua decisão, tem, como não poderia deixar de ser, alguns elementos de demagogia profunda: é apanágio de um ditador; mais ainda, de um comunista. Mas é histórica.

"Mi deber elemental no es aferrarme a cargos, ni mucho menos obstruir el paso a personas más jóvenes, sino aportar experiencias e ideas cuyo modesto valor proviene de la época excepcional que me tocó vivir."

segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

O Jogo.

Boa música portuguesa: Tiago Bettencourt & Mantha.

E, no entanto, ela morre solteira.

Que saudades deste Portugal tão típico. Diz que ontem choveu muito. Eu não vi chover; na província não choveu mais que três pingos. Mas vi campos inundados ao chegar a Lisboa hoje e vi as notícias: terá, efectivamente, chovido. O típico não é a chuva; neste momento a chuva é até atípica. Que o digam os senhores dos chapéus de chuva da Presidência Portuguesa da UE, que os devem ter aos molhos ainda. O típico é o "sacudir a culpa", o "não fui eu, foi ele".

Aconteceu quando caíu a ponte de Entre os Rios e acontece sempre que há alguma tragédia onde a culpa é partilhada. Neste país de políticos profissionais, não será de estranhar as posições. O ministro diz que a culpa é das autarquias; os autarcas, estupefactos, dizem que a culpa é do governo. Certo é que choveu, que há prejuízos e que há que fazer alguma coisa. E porque não dizer: "naturalmente que houve erros, mas vamos trabalhar, em conjunto, para os resolver"?

Ainda ontem a Vereadora Helena Roseta falava disso num debate cuja natureza premonitória deveria deixar muitos a pensar, evocativo das cheias de 1967 (ao fazer uma pesquisa encontrei este artigo sobre as cheias) de que, honestamente, nunca tinha ouvido falar. É preciso, mais que empurrar a culpa, começar rapidamente a trabalhar para evitar que tudo isto se repita, em Lisboa ou em qualquer outro ponto do país. É assim tão complicado? Para quê sacudir a culpa?

Será que me engano?

A propósito do que disse justamente em baixo, parece que me engano. Os Estados Unidos e os grandes países da Europa anunciaram que vão reconhecer a independência do Kosovo. Reino Unido, França, Alemanha e Itália avançaram com o reconhecimento da proclamação.

Fica provada a incapacidade da União Europeia de agir a uma só voz: a Espanha, um dos médios-grandes, diz que a declaração é contra o direito internacional e não irá portanto reconhecer o Kosovo. Será isto reflexo do cobardia de Zapatero, de ver os efeitos das desastrosas medidas que tomou no que diz respeito às autonomias espanholas? Outros países mais pequenos (Grécia, Roménia e Eslováquia) disseram que não reconhecerão a curto prazo o novo país e o Chipre indicou que nunca o fará.

O Presidente Francês, personagem recorrente deste blogue, faz questão de não desaparecer: enviou uma carta ao seu "homólogo" kosovar, reconhecendo "dès à présent le Kosovo comme un État souverain et indépendant" e propondo o estabelecimento de relações diplomáticas bilaterais. Rapidez, eficiência e publicidade. Nada ainda nos sites da Casa Branca e de 10 Downing Street.

Como fica a Rússia depois do reconhecimento pelas potências ocidentais? Não resisto a mais um cartoon do Times, desta vez com o almighty Putin como protagonista.

Guerra Fria?

A independência da província sérvia do Kosovo é motivo de páginas de reportagem nos jornais de hoje e de horas de comentários nos noticiários. Este cartoon, ao melhor estilo inglês, mostra o que resta da grande águia jugoslava. Tito estaria hoje pouco impressionado com o que resta.

Durante meses se falou de independência e a nunca houve nenhuma posição suficientemente clara da Europa e dos Estados Unidos. Sobretudo nunca se disse que rejeitariam a declaração unilateral de independência. Veremos agora se esta "comunidade internacional" reage ao seu melhor estilo cobarde face à ameaça do gigante russo, que fala já em utilizar poder militar para defender os "interesses russos".

A grande Jugoslávia já desapareceu há alguns anos. A grande União Soviética também. Mas o grande senhor do Kremlin quer impor a Rússia, como se no auge da Guerra Fria se estivesse. Está a tentar fazê-lo em relação à Ucrânia, como agora em relação ao Kosovo. Conseguirá? Mercê do tal poder nuclear, talvez. E o que pode o Ocidente fazer? Muito pouco. Estaremos realmente tão longe da Guerra Fria?

quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

"Dia dos Namorados - Newsletter"

Estava a escrever uma mensagem sobre o e-mail que teimosamente chegou à minha caixa de correio com este título. Ia mencionar também a comédia romântica que acabei de ver esta noite (muito bem recomendada pela minha querida Ana). Eis quando desisto. Apago. Pensei: "não, não. isto é um blogue de coisas tentativamente sérias, não é para lamechices". E depois encontrei uma bonita história de São Valentim que justifica plenamente o meu post: "Je suis donc la première dame jusqu'à la fin du mandat de mon mari, et son épouse jusqu'à la mort." :-) Bonito e romântico, ou quê?

sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

O meu fim de tarde...........

Apesar do aparente azar ao jogo, senti-me hoje verdadeiramente bafejado pela sorte... o fim de tarde no meu Baleal estava surpreendentemente bom, para este fim de Inverno. Sentia-se uma Primavera antecipada e eu senti-me muito bem por ter nascido na Costa da Prata e por ter uma casa nesta "ilha" absolutamente fantástica. A minha máquina hoje não estava lá, mas esteve em muitos fins de tarde, em que o pôr-do-sol se tornou um vício...


17, 28, 30, 38, 44 * 1, 4

No boletim em conjunto cá de casa, cabia-me escolher um número. E escolhi o 29. É, afinal, o meu dia de anos. O facto de terem saído o 28 e o 30 no EuroMilhões de hoje, deve alertar-me para alguma coisa? Talvez sim... Estou a passar ao lado de grandes oportunidades? Talvez sim... Nasci no dia errado?

sábado, 2 de Fevereiro de 2008

Ainda o Rei D. Carlos

No seguimento do que disse ontem sobre os 100 anos do Regicídio, tenho de divulgar as sábias e acertadas palavras do Presidente da República na inauguração de uma estátua do Rei D. Carlos, em Cascais. O mais alto dignitário da nação soube fazer um elogio apropriado do penúltimo Rei de Portugal, um seu antecessor na chefia do Estado, enaltecendo "o seu papel pioneiro no domínio das ciências do mar" e a sua "combinação rara de dons". Uma devida homenagem, mais importante que a que faltou na Assembleia da República:

"Quis o destino que D. Carlos, como rei, enfrentasse tempestades. Quiseram os homens que lhe não fosse dado tempo para as superar. Neste momento em que se completam cem anos sobre a trágica morte do rei D. Carlos, é nosso dever honrar a memória de um português que sempre procurou servir a pátria."

Mariés!

Casaram hoje... é quase oficial!

[Actualização: já foi confirmado.]

As fotos da Alemanha: Dresden

As fotos da Alemanha: Potsdam

As fotos da Alemanha: a Berlim unificada

O Reichstag:

A Potsdamer Platz:

As fotos da Alemanha: a Berlim do muro

As fotos da Alemanha: a Berlim dos reichs

O reich dos Hohenzollern:

O reich do senhor do bigode [a frase que deu origem a este post]:

sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

100 Anos do Regicídio

Faz hoje 100 anos que dois portugueses assassinaram o Rei e o Príncipe Real; na minha opinião um dos dias mais tristes na história de Portugal, 1 de Fevereiro de 1908. Acho que o Rei D. Carlos é um dos grandes injustiçados da nossa história, de um país que está prestes a comemorar os cem anos da república e que deveria ter a capacidade de se reconciliar consigo próprio e com a sua história. A república parece ter e talvez deva ter uma consciência pesada face à morte do Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luís Filipe: foi assim que teve a sua oportunidade.

Chateia-me, por isso, que a Assembleia da República não tenha hoje aprovado o voto de pesar pela morte do Rei e que alguns políticos se insurjam contra a participação de elementos das Forças Armadas nas cerimónias que assinalaram o aniversário. Goste-se ou não de D. Carlos, seja-se republicano ou monárquico, ele foi um Chefe de Estado português e deve, como todos os outros, ser objecto das maiores honras. Foi, além disso, assassinado, vítima de um crime político. [Acho que o momento não é para falar de outras circunstâncias e personagens da nossa história em relação às quais a reconciliação se impõe. Talvez um dia destes.] O assassinato de qualquer português é motivo de pesar. O assassinato do Rei, que representa todos os portugueses e a história de um país e de um povo, é motivo de grande pesar.

Regresso da tournée na Alemanha

Caros leitores, regressei de viagem ontem mas afazeres de múltiplas denominações mantiveram-me afastado do blog. Já tentámos chamar à criatura tudo e mais alguma coisa, mas está difícil. Parece que agora vai. E, portanto, dou agora conta da última das minhas viagens culturais do Inverno. Com a minha queridíssima amiga Kaiserin BSC a ser praticamente detida pelas autoridades cada 10 minutos, lá fui à descoberta da capital dos reichs, da capital do muro, da capital unificada. Os comentários que ouvi nos últimos anos sobre esta cidade deixaram as minhas expectativas muito elevadas; e, felizmente, não foram defraudadas.

Berlim é absolutamente fantástica, cosmopolita ao máximo, bem organizada e surpreendente pela harmonia entre as obras arquitectónicas mais contemporâneas e as recordações de um passado relativamente recente no seu todo. Nada há de muito antigo, é afinal uma capital recente, de raiz. Mas é tudo muito impressionante. Uma das coisas que mais me surpreendeu em Berlim foi o contraste entre dois museus: por um lado o Museu da RDA, que deve ser, como dizia a BSC, propriedade do partido comunista [era absolutamente maravilhosa, segundo este museu, a vida na Alemanha de Leste; não se percebem as alarvidades que se diziam desse regime tão maravilhosamente estiloso]; por outro lado, o Checkpoint Charlie, num estilo mais ou menos rudimentar, mostra o sofrimento de quem tentava, a todo o custo, atravessar o muro. Mas para quê atravessar, fugindo daquela maravilha de leste? Eu diria até que deveriam ser os da RFA a tentar passar para Leste!

Também me impressionou o Reichstag, o bem conseguido parlamento federal, com a magnífica cúpula de vidro, concebida por Sir Norman Foster, a substituir a que caiu no incêndio de 1933 - pelo qual o recém-eleito Hitler culpou os comunistas e que justificou os primeiros campos de concentração. Genial, a concepção e a execução da cúpula, bem como a integração no edifício original. O pior foi mesmo o frio à porta. O Foster não terá pensado nisso. A Potsdamer Platz é outro exemplo extraordinário de edificação contemporânea. O conjunto de edifícios é esmagador.

A tournée continuou por Potsdam, onde o lendário e elegante palácio onde o Rei Frederico II, o Grande, da Prússia queria viver "Sans Souci" estava lamentavelmente fechado. [Motivo para lá voltar um dia.] Valeu pelo Neues Palais, o fabuloso e impressionante palácio das visitas que o Rei mandou construir numa das pontas do parque e que tem, por trás, as cozinhas e os dormitórios dos criados... quem dera ser criado para lá viver. Por dentro é menos impressionante; só a sala de banquetes é que transmite a grandeza que o exterior manifesta.

Finalmente Dresden, capital dos Reis de Saxe e hoje capital do estado federal da Saxónia. A cidade foi vítima de um bombardeamento criminoso, a 13 de Fevereiro de 1945, pela RAF britânica e pela USAAF que não só causou entre milhares de mortos - cerca de 25 mil - mas deixou uma cidade completamente destruída. O que é notável, ao visitar esta cidade, é que não se tem a sensação de estar numa cidade nova. O conjunto arquitectónico barroco é dos mais harmoniosos e impressionantes que já vi, sendo grande parte resultado de um esforço de reconstrução. Infelizmente também a parte mais histórica do fabuloso tesouro de Saxe, o Grünes Gewölbe, estava fechada. [Também motivo para lá voltar um dia.] Estava para visita, no entanto, o famoso Dresden Green, o maior diamante verde existente.

E tudo acabou numa glamourosa noite no casino, a jogar à forca e ao galo...