segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

¿Eres de Madrid?

Já me ia deitar mas achei que devia dar conta do meu regresso de Madrid. Como me disse uma amiga minha, estou com uma "intoxicação cultural" depois destes dois dias intensos. Quis ver o Prado outra vez, depois da amplicação e da redistribuição dos quadros: absolutamente fantástico. É, sem dúvida, um dos meus museus preferidos. Que maravilha estar ali rodeado de Vélazquez, de Goya, de El Greco (uma excelente exposição temporária: é incrível o "modernismo" nos quadros dele), de Ribera e de Murillo, para falar só dos "espanhóis" mais determinantes.

É esmagador perceber a importância que os sucessivos Reis de Espanha deram à arte e perceber o legado que deixaram a Espanha com as colecções reais, mesmo delapidadas pelas sucessivas guerras e pelos saques napoleónicos. Onde está o museu que o nosso Terreiro do Paço merece? Mas onde estão também as obras de arte para o encher? É certo que temos as mais imponentes igrejas e conventos, mas faltaram-nos pintores de corte, faltaram-nos um Renascimento e uma época de ouro nas artes.

Fui ao Thyssen, de que conhecia apenas parte. Gostei muito, de rever a colecção da Baronesa e de ver pela primeira vez a do Barão. Muito completas ambas, com obras muito boas (os Tintorettos e os Tiepolos são fascinantes). Mesmo olhando apenas para a parte moderna/contemporânea, o Comendador Berardo deveria fazer umas visitas para perceber o que é uma colecção e o que são os restos de uma colecção; e talvez um dia se justificasse o esforço financeiro do Estado português. Faltava-me também conhecer o Reina Sofía, eu que não fui até há bem pouco tempo muito dado a arte moderna. Gostei do segundo andar, mas dispensava 95% do quarto, com arte contemporânea. O Guernica é impressionante e gostei dos Picassos e dos Dalis em geral.

Restou algum tempo para umas promenades e umas vistas. E a pergunta que tanto me enche de orgulho pelo meu castelhano: "¿Eres de Madrid?". Não, sou português. [Espanto.] E o próximo avião está quase aí.

sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

Encompassing the globe

Voltei da primeira parte das minhas férias culturais. Bruxelas para ver três exposições excelentes, parte do Europalia, que está prestes a terminar. Ficaram algumas por ver, por falta de tempo e porque fechavam cedo. Tenho pena de não ter visto pelo menos a de Rubens, mas não deu. Para quem ainda puder ir a Bruxelas, recomendo que não perca a exposição "Encompassing the globe" (em francês "Autour du globe"), até 3 de Fevereiro. O Presidente da República inaugurou a exposição durante a visita aos EUA, em Junho. Não terá as peças todas que tinha em Washington, mas é ainda assim impressionante. Senti-me realmente orgulhoso de ser português e da história do meu país. A exposição é a prova da verdade nas palavras de Camões, de que demos "novos mundos ao mundo".

A exposição central do Europalia é "Le Grand Atélier", de que também gostei muito, sobre a arte europeia entre os séculos V a XVIII. Outra absolutamente fantástica é uma impressionante exposição de jóias chamada "Brillante Europe", que mostra a evolução na arte da joalharia nas cortes europeias. Peças de todas as partes do mundo - algumas de Portugal também - que mostram a importância que as jóias tiveram politicamente e o efeito social que ainda se pretende que tenham hoje.

Bruges, porque é uma cidade realmente única, tinha de estar no programa. É incrível como se pode andar quilómetros sem se tropeçar num escândalo arquitectónico que estrague a harmonia desta cidade do Renascimento, com detalhes perfeitamente deliciosos para a minha máquina fotográfica, que se manteve bastante quieta em Bruxelas (há os catálogos!) mas que em Bruges voltou ao auge. Next stop cultural: Madrid.

domingo, 13 de Janeiro de 2008

Intermináveis eleições...

Bem sei que estão agora no início as primárias e não sei se serei o único, mas começo a fartar-me. E pensar que falta quase um ano antes de acabar o processo eleitoral nos EUA... Desde a surpreendente vitória de Barack Obama no Iowa e a certeza de que Hillary Clinton estava derrotada (comparações entre Obama e John F. Kennedy eram mais que muitas), à surpreendente vitória da ex-Primeira Dama no New Hampshire, derrotando antes de mais as sondagens: o último que leio sobre esta vitória é que, depois da espectacular vitória de Obama no Iowa e da forte campanha de comunicação lançada, muitos dos que votaram em Hillary Clinton estavam envergonhados de dizer que o fariam.

Agora fala-se da gaffe de Clinton sobre Martin Luther King ("Dr. King's dream began to be realized when President Johnson passed the Civil Rights Act. It took a president to get it done.") e dos votos que lhe vai custar na Carolina do Sul. E fala-se das origens e da verdadeira religião de Obama. É certo que estive fora do mundo durante uns meses, mas só hoje descobri que o nome do meio de Obama é Hussein e que tem ascendência islâmica. O rumor é que ele próprio é muçulmano. Fala-se ainda de fobia a brancos, cultivada na sua igreja pelo reverendo Jeremiah Wright e nas referências deste pastor (que casou Obama) ao 11 de Setembro como uma advertência pela insistência da América em ignorar os direitos das pessoas de cor.

As sondagens da Carolina do Sul dão uma enorme vantagem a Obama, mas já ninguém confia. O derrotado John Kerry apoia Obama. Clinton diz que é melhor falar já dos podres do seu adversário, porque se ele ganha as primárias os republicanos vão bombardeá-lo com o seu passado. Guerra suja, portanto.

"Cécilia Albéniz, a cigana que fugiu do Eliseu" - artigo no Público de hoje

"Cécilia Albéniz, a cigana que fugiu do Eliseu" é o título de um bom artigo no Público de hoje sobre a antiga Mme. Sarkozy. Bem escrito e interessante. Um excerto:

"Cécilia é arrogante, bela, altiva, elegante, caprichosa, depressiva, sensata, tirânica, heroína, fria, conquistadora, reservada, rebelde, distante, independente, egoísta, livre, apaixonada, mimada, determinada, frágil, vaidosa, ansiosa por ser o centro das atenções, secreta, indiferente às opiniões dos outros, dedicada a causas, fútil, ambiciosa..."

Fala das raízes judaicas e ciganas da ex-Primeira Dama de França bem como da malformação cardíaca congénita com que nasceu, além das estórias com Sarkozy. E compara o primeiro marido de Cécilia a Júlio Isidro... Podem ler na edição online.

sábado, 12 de Janeiro de 2008

Bruni - parte não sei quantas

"In his election campaign last year, Sarkozy had promised “rupture” with the stodgy traditions of the past. Few suspected that this would mean converting the gilded Elysee Palace he inhabits into the backdrop for a star-studded soap opera."

O Sunday Times de amanhã tem alguns artigos sobre o Senhor Président e a futura Mme. Sarkozy. O jornal faz uma análise do temperamento do Presidente francês e das mais recentes medidas que tomou, bem como da flutuação do nível de apoio dos franceses. Surpresa das surpresas, diz que a resposta às declarações de Cecilia Sarkozy, será a notícia ou pelo menos o rumor de que Carla Bruni irá dar nos próximos meses um novo rebento ao Eliseu, digo a Nicolas.

Refere ainda que a Rainha de Inglaterra está já ciente de que terá de receber no Castelo de Windsor a ex-modelo durante a Visita de Estado que o Presidente Sarkozy vai realizar ao Reino Unido em Março.

Despedidas, aeroportos, viagens...

Quando parece que não há mais nada por salvar e a depressão pós-Presidência [dizem os entendidos que os sintomas da pós-parto são semelhantes] parece estar no auge - é melhor acreditar que o auge é isto e que não vai piorar - acho melhor começar a preparar a minha despedida, ainda que não definitiva, do meu Palácio, da minha Sala Azul, do meu divertido e inédito trabalho, dos meus adorados amigos e dos menos suportáveis colegas, do meu impecável e amigo Chefe e de um ano inesquecível. Mas custa, realmente. É um não querer assumir as circunstâncias, que sempre foram expectáveis mas que sempre se pensou ser possível evitar. Quem sabe?

Para já, entre o furor dos aeroportos e o dos campos de tiro, decidi-me pela primeira hipótese e não abri ainda a caça às ruminantes fêmeas dos bodes. Deixá-las pastar nos verdes prados do Norte e do Médio Oriente pareceu-me a melhor opção. Vou por isso partir, qual Rising Star, em tournée pela Europa e talvez o Mundo. Bruxelas, Madrid, Berlim, Dresden nas próximas semanas, com ocasionais regressos à mítica "Lisboa de 2007", para rever e matar saudades das pessoas que entraram na minha vida e que se tornaram insuperavelmente importantes. Volto, pois, um dia destes. Nem sequer me despeço aqui do limiar, uma vez que conto conseguir dar notícias, talvez ainda antes e espero que durante as minhas idas. Hasta...

quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

Ontem à noite...

Ontem à noite pus-me a reflectir
Nas coisas da vida em vez de dormir
Tive um quebranto, fiquei surdo e mudo
Tolhido de espanto mas percebi tudo

O mundo era meu, sentia-me um rei
O tempo era extenso e eu ditava a lei
Bastou dar um passo e crescer em frente
Perdi toda a graça quase de repente

Não fosse um sentido de humor apurado
Que me faz viver um sonho acordado
Não via tão claro o sentido da vida
E tudo seria bem mais complicado

(Clã, Utilidade do Humor)

domingo, 6 de Janeiro de 2008

Estas misturas.............

Continua a ser causa de alguma irritação na minha cabeça a teimosia em misturar situações particulares e públicas... Então não é que Mr. le Président está em Petra com a nossa amiga Bruni? Fala-se até (rubrica "Política" do Le Journal du Dimanche) que têm data marcada para casar: 8 ou 9 de Fevereiro! Nada disto me irrita. O que realmente me chateia é que a Embaixadora da Jordânia em Paris acompanhe o casalinho na sua visita a Petra, como se de uma visita oficial se tratasse! É a senhora à esquerda da foto, que é também Embaixadora não-residente da Jordânia em Lisboa.

"Portugal saiu prestigiado do exercício da presidência"

Só hoje vi a Mensagem de Ano Novo do Presidente da República. Não achei extraordinária nem demasiado bem conseguida e prometi a mim próprio que não ia comentar o exagero de dourado... Mas gostei muito da referência que o Senhor Presidente fez à nossa Presidência. E gostei de me sentir incluído nos agradecimentos:

"Portugal exerceu, no 2º Semestre, a Presidência do Conselho da União Europeia, tarefa exigente e de grande responsabilidade. Fê-lo com eficácia, rigor e dignidade. É de toda a justiça reconhecer o papel desempenhado pelo Governo.

Portugal saiu prestigiado do exercício da presidência e todos aqueles que nela trabalharam são credores do nosso apreço."

Dia de Reis

Pensei em pôr uma imagem do "Rei dos Frangos" para comemorar o dia, mas achei que era fazer pouco da ocasião... Na verdade não se sabe se eram Reis, as escrituras falam em Magos; em português e espanhol deu Reis Magos, em inglês Wise Men (os franceses, antes de se dedicarem a falar da Carla Bruni alinhavam conosco). Não homens de magia mas homens de sabedoria, de ciência: de física, de química, de astronomia, de matemática. Não se sabe também quantos eram, mas a tradição conta três: Melchior, Gaspar e Baltasar.

A veneranda wikipédia tem uma descrição de São Beda (nunca tinha ouvido falar...), que fez uma descrição dos magos: “Melchior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio. E Baltazar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz”.

Os magos são repetidamente mencionados no livro cuja não leitura eu recomendei, Baudolino, do Umberto Eco. Mas diz ele que eram 12... Os presentes que levaram ao Menino simbolizam a realeza de Jesus (ouro), o culto à sua divindade (incenso) e a sua dupla natureza de mortal/imortal (mirra).

sábado, 5 de Janeiro de 2008

¡Felicidades Majestad!

"Nesta ocasião de justificado júbilo para todo o Povo espanhol, permito-me ainda evocar o inestimável contributo de Vossa Majestade para a consolidação da democracia e para o prestígio e projecção de Espanha no mundo, dois factores que estão na base do desenvolvimento económico e social de que o país hoje desfruta."

Parte da mensagem que o Presidente da República hoje enviou ao Rei de Espanha, por ocasião dos 70 anos do monarca espanhol, em nome do povo português. Uma mensagem devida, na minha opinião, e com palavras muito acertadas.

O Rei de Espanha é o exemplo vivo de que um Chefe de Estado desprovido de poder executivo pode ser absolutamente essencial ao normal desenvolvimento de um Estado de Direito e não apenas um mero espectador da vida política de um país, como são tantas vezes Presidentes e Reis por essa Europa fora. A continuidade na chefia do Estado parece-me um factor incontornável e essencial na história recente de Espanha, que me parece ter uma das mais notáveis evoluções socio-económicas da União Europeia.

A ascensão de Espanha no plano internacional é, em muito, resultado do aplauso unânime que recebe o Rei de Espanha e do reconhecimento pelo impecável papel que desempenhou na Transição Democrática e na vida política espanhola dos últimos 32 anos. O Rei Juan Carlos é, sem dúvida, um dos Chefes de Estado mais respeitados e reconhecidos no Mundo e a sua forma discreta mas decidida de acção deve constituir exemplo.

O recente episódio na Cimeira Ibero-Americana do Chile, em que o Rei mandou calar Hugo Chávez, constituiu um momento de orgulho para a maioria dos espanhóis, não obstante poder ser classificada como um deslize do ponto de vista diplomático. Talvez nenhum outro se atrevesse a fazê-lo. E por isso orgulho-me, com os espanhóis, de que alguém tenha o discernimento de perder o controlo com a pessoa certa, na ocasião certa, com as palavras certas: "¿Por qué no te callas?" Chávez não merecia ouvir menos que isto. E calou-se, pelo menos com o plebiscito que se seguiu.

A mensagem do Presidente da República, atendendo às especiais relações de amizade que unem os dois países e à pessoal relação que o Rei de Espanha tem com o nosso país, não poderia ser mais apropriada.

¡Felicidades Majestad!

Annus horribilis!

A revista da polémica em Espanha, condenada por publicar uma caricatura dos Príncipes das Astúrias há uns meses, tem uma capa deliciosa esta semana. O título é "Acabou-se o Annus horribilis do Rei", em referência ao que a Rainha Isabel II chamou ao seu ano de 1992. O Rei diz que "pior não poderá ser". Apaixonada, a Infanta Elena pergunta a Hugo Chávez: "dizes-lhe tu ou digo-lhe eu?". Muito bom...

As cores de Adolfo...

No Telegraph Online de ontem há um artigo sobre uma rara fotografia a cores do Fuhrer alemão. Infelizmente bem real, o sinistro ditador aparece surrealmente estranho, uma fraca caricatura de um líder. Nos três artigos com link desta página descubro algumas afinidades com o Adolfo: "Herr Hitler drinks no alcohol, and above all does not smoke". Cianeto já?

sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Mais do Gymnich

Encontrei mais fotos do Gymnich que merecem aparecer para ilustrar as minhas estórias... e o outro post já estava muito comprido.

E tenho de falar na tenda dos delegados, porque não foram só os chefes de delegação a ser bem tratados! O senhor Camelo, que serviu tudo, esmerou-se: o cozido, que a Teresa de Sousa elogiou no Público, estava mesmo óptimo; as sobremesas, deliciosas. Original a decoração das mesas, com espectaculares tabuleiros de pétalas de flores (3 exemplos em baixo). O ambiente estava fantástico, com todos a sentirem-se bem tratados e não meramente relegados a um canto.

Se eu soubesse o que sei hoje (e não fosse snob e falasse às pessoas e não tirasse só fotografias e não andasse de um lado para o outro com um ar emproado, sic) e tivesse os amigos que tenho... tinha-me divertido o triplo. E já assim foi divertidíssimo e inesquecível...

quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

O misterioso desaparecimento dos cinzeiros...

Hoje, pela fresca, desapareceu uma bela dezena de cinzeiros do Palácio das Necessidades! Não quero acusar-me, nem à Conceição ("pêssima", como ela diz), mas foi um furto com suporte legal irrefutável. E cheguei a casa sem cheirar a fumo pela primeira vez em anos! Que maravilha!

Imagens da Presidência - III

Gymnich: o nome estranhíssimo da reunião que mudou tudo faz referência ao local onde se realizou a primeira reunião de MNEs da União Europeia. Acho que todos os que estivemos concordamos que a Presidência Portuguesa começou verdadeiramente em Viana do Castelo, no meio de um calor popular inédito, de um bom ambiente inexcedível, de uma colaboração perfeita entre organização e autoridades locais e população.

Neste ano creio que foi - taco a taco com a assinatura do Tratado de Lisboa - a reunião que mais gozo me deu, que melhor combinou o trabalho com o social, que mais merece ser recordada pela perfeita organização, pelos pormenores bem conseguidos, pela perfeita harmonia entre a tradição e a modernidade. Com o extraordinário bom tempo do início de Setembro, as delegações da Europa mais cinzenta tiveram de se render à evidência de que não há como reuniões sob o sol de Portugal para os animar.

Parecia mau agoiro que, quando íamos a caminho de Viana, soubemos do assalto violento às ourivesarias do centro histórico. Parecia que começava mal. Mas o ambiente ficou marcado pela recepção na Câmara Municipal, logo na manhã do primeiro dia. A população a aplaudir na rua, as minhotas a rigor pelas escadas dos Paços do Concelho acima, a banda a tocar o Hino da Alegria e os MNEs e as suas senhoras a assistir da varanda. Perfeito.

A reunião estava igualmente perfeita. Uma fragata da Marinha estava fundeada em frente à nova Biblioteca Municipal, traço de Siza Vieira, onde se realizou a reunião e criava um enquadramento extraordinário para as discussões políticas. O almoço de trabalho que inaugurou o Gymnich não podia ter detalhes mais apropriados, com bordados de Viana na moderna mesa de reunião.

O melhor chegou ao final da tarde. No Teatro Sá de Miranda um concerto abriu o programa social. Aparentemente um sucesso; não pude assistir: o jantar era logo a seguir e foi o ponto alto. A chegada ao Museu Municipal de Viana foi de arrepiar. Banda de gaitas de foles na rua, população a aplaudir, ministros a acenar, um ambiente de festa surpreendente. Lá em cima, no jantar, uma das mesas mais incríveis que vi até hoje, perfeita sintonia entre o mais tradicional (os azulejos fantásticos das três salas comunicantes; a louça de Viana; as rendas da toalha) e o mais moderno (o acrílico da mesa e das cadeiras). Canja. Robalo. Rabanadas. Ambiente do mais descontraído que se possa imaginar.

Na rua o mais perigoso momento do dia estava a tomar forma: ou era o maior sucesso ou o maior fracasso. Quando as garrafas vazias eram já mais que as cheias, os ranchos começaram a tocar e a dançar na praça em frente ao Museu e o Presidente da Câmara e o Ministro convidaram os MNEs para saírem à varanda e verem.

A "Imagem da Presidência" que me parece digna de recordação ocorreu precisamente aqui, quando as minhotas correram escada acima e trouxeram para a rua os ministros, que dançaram, com elas e entre eles, antes de avançarem para o fogo de artifício com que terminou o longo primeiro dia, que para mim parecia decorrer há três dias. Uma animação! O sorriso estampado em todas as caras. Um mediático ministro dizia-me na varanda "Oh! And that's Carl Bildt, the Swedish Minister dancing down there!". Respondi-lhe que devia juntar-se a eles. Não sei se ele tinha reparado que entretanto já o castiço Ministro luxemburguês dançava com o Ministro Moratinos!

Perfeitamente inesquecível. Acho que "havemos de voltar a Viana"!

terça-feira, 1 de Janeiro de 2008

Manteigas ou o início de uma fulgurante carreira...

"Rising Star". Repetidamente. Uma vez chego mesmo a "Lead Singer". Será um sinal de que a minha carreira pode afinal ser bem diferente do que eu tinha pensado? Diz que o Sing Star não se engana. Ganhei e ganhei e ganhei. Todas as vezes que cantei. Belo início de ano em Manteigas! Recebidos e mimados como príncipes pela Maria e a família, divertimo-nos muito e tivemos um belo fim de 2007, cheio de recordações da inesquecível Presidência Portuguesa e um óptimo início de 2008. Infelizmente no Sing Star só um podia ganhar...

Bom 2008 para todos!