segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007

A very good year

Apesar do pouco tempo que me resta antes de me arranjar para o fim de ano aqui em Manteigas, não queria deixar 2007 partir sem um último post. Foi, de facto, o melhor ano da minha vida. Teve pontos maus, momentos inesquecíveis de tão felizes, outros dramáticos e outros tristes q.b.. Outro dia talvez faça o proper review of the year, mas tenho de dizer que foi extraordinário e tenho de pedir mais do mesmo. Obrigado a todos. B&A e um óptimo 2008!

sábado, 29 de Dezembro de 2007

Vila Natal

Ontem fui a Óbidos tomar café - privilégios da província! - com uma queridíssima amiga minha e aproveitar para ver um pouco da Vila Natal, da qual tinha ouvido falar: das filas intermináveis, da confusão e da dificuldade de locomoção. Não me interessavam póneis, nem pistas de gelo, nem os tais Pais Natais - só ver o ambiente. E gostei. A rua dita direita (que, como é tradição, é das mais tortas) está bem gira, com luzes semi-azuis. Mas o mais extraordinário é a trepadeira numa das típicas paredes da vila, que está coberta de luzes. Absolutamente brutal. Vale a visita.

Filme que sim, livro que não

Ontem finalmente acabei o livro que lia há meses sem fim... "Baudolino", do Umberto Eco. Um alívio. Francamente mau: monótono, sem graça, sem interesse, demasiado fantasiado com animais bestiais e pessoas estranhas. O último capítulo tem os únicos gramas de piada do livro inteiro. Mas recomendo que não leiam.

Por outro lado, vi um filme que gostei muito e que recomendo, embora seja um género que não agrade a todos. "O Terceiro Passo", "The Prestige" nome original. A descrição no meu clube de vídeo é a que se segue:

"Na época vitoriana da viragem do século, dois mágicos desenvolvem entre si uma terrível rivalidade que se alimenta de truques e de uma vontade insaciável de desvendar os segredos um do outro. À medida que vão avançando entre a ousadia e o desejo, o espectáculo e a ciência, e que a ambição vai vencendo a amizade que dantes os unia, vão trilhando um caminho cujos resultados só podem ser perigosos, fatais e enganadores."

Tinha visto há pouco tempo "O Ilusionista", que era na mesma linha temática e que achei mauzito. Não sou, de resto, muito fã do Edward Norton. Estive até para não alugar este outro, mas valeu a pena. Fiquei surpreendido não só pela qualidade do filme, como pelo interesse que a história me suscitou. E a Scarlett está muito bem...

Esqueci-me dos radares...

Quando voltava a Lisboa depois do meu fim-de-semana e Natal na gloriosa província, passei por um carro na A8 que me chamou especial atenção e que me levou a pensar escrever sobre o assunto. No entanto, só hoje me voltei a lembrar do assunto.

Como é meu hábito quando vejo carros na berma, abrandei - não fosse a polícia com um radar. E era. Os GNR, à boa maneira portuguesa (e isto no pior dos sentidos), estavam a tentar encontrar a melhor maneira de esconder uma dessas máquinas por baixo de uma das pontes da autoestrada. Estavam aliás a ver a melhor maneira de fazer com que ficasse só o radar, sem o carro, cá em baixo. Na verdade a técnica não é nova. Já na entrada da A1 em Leiria eu vi o sistema do carro-em-cima-da-ponte-e-radar-a-lixar-o-pessoal-cá-em-baixo. Mas não tinha blogue na altura...

Pergunto eu: em que é o radar escondido melhora a segurança da estrada? Por acaso se, nesse mesmo dia, nesse mesmo local, alguém morrer por ir esse ou outro alguém em excesso de velocidade, o radar escondido terá surtido algum efeito? Não fará mais sentido colocar, como em Lisboa, os radares com um sinal antes a dizer "vais ser multado se não abrandares"? Parece-me que esta ideia da caça ao dinheiro que as multas rendem é evidenciada nestes procedimentos policiais e fica muito mal ao Estado.

Note-se que não só me esqueci de publicar este post na quarta-feira como efectivamente me esqueci, na quinta-feira de manhã, de um radar desses que elogio, de Lisboa. Espero que, como acontece com frequência, estivesse um camião estacionado em frente do bendito artefacto. Caso contrário lá chegará a multa...

quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007

Benazir Bhutto

Fiquei chocado esta tarde quando li que a líder da oposição do Paquistão tinha sido assassinada, junto com vinte outras pessoas, num ataque repugnante (as circunstâncias lembraram-me a trágica morte do PM israelita Yitzhak Rabin em 1995) com implicações políticas nacionais e internacionais evidentes pela resposta dos líderes internacionais. No pouco tempo que tive para prestar atenção à política internacional nos últimos meses, fiquei impressionado com a coragem da ex-Primeira Ministra, resistindo apesar do evidente perigo que corria.

Choca-me que tenha sido aparentemente tão fácil matá-la. O facto de estarmos a falar de uma das poucas mulheres activas, com visibilidade e mediatismo, na política de um país islâmico, torna o assassinato de Benazir Bhutto mais preocupante, mais trágico. Bhutto era afinal um sinal de que não são os extremistas a única expressão possível do islamismo. Mas com a facilidade com que aniquilam a oposição, poderão tornar-se tragicamente na única expressão existente.

Resta-nos rezar para que assim não seja e pedir paz à alma de Benazir Bhutto. E, já agora, esperar que o seu exemplo, de continuar a lutar apesar da constante ameaça terrorista, possa surtir algum efeito num mundo, o islâmico, que cada vez mais parece estar à beira da inevitabilidade do extremismo.

terça-feira, 25 de Dezembro de 2007

Sarkozy & Bruni en vacances...

E lá foram eles para o Egipto... o que me causa algum enguiço é esta passadeira vermelha à saída do avião... catwalk para ela ou honras a despropósito para ele? E qual dos dois se aproveita? Será um belo negócio para os dois? Daqui a uns meses ela terá vendido mais uns discos, ele poderá descalçar os saltos altos e terão achado que media mais de metro e sessenta e cinco (e asseguro-vos que é mentira)...

Mensagens de Natal


A Rainha de Inglaterra (ou do Reino Unido, para ser mais correcto) transmitiu pela primeira vez o discurso de Natal (o seu quinquagésimo televisado) no Youtube, no novo "The Royal Channel" divulgado há apenas um par de dias. Vale a pena ouvir o discurso e perceber a mudança dos tempos.

Há 50 anos a Rainha falou da dificuldade que alguns poderiam sentir em adaptar-se às mudanças, naquele ano em que pela primeira vez era transmitido o discurso de Natal pela televisão. Hoje a inclemência pelos inadaptados é cada vez mais implacável, mas é curioso que a mensagem comece por transmitir essas soberanas palavras quando o Youtube transmite a mensagem oficialmente pela primeira vez. Como diz Sua Graciosa Majestade no início da mensagem: "One of the features of growing old is a heightened awareness of change". Vale a pena ver:


O Papa, que continua a restaurar tradições e a voltar aos áureos tempos do Papado (a cadeira ontem em S. Pedro deixou o forro branco para passar ao tradicional carmesim e hoje o Papa usou uma capa que foi do Papa João XXIII e uma mitra com as armas de João Paulo I), pronunciou palavras ontem na Missa do Galo que vale a pena ler:

"O céu não pertence à geografia do espaço, mas à geografia do coração. E o coração de Deus, na Noite santa, inclinou-Se até ao curral: a humildade de Deus é o céu. E se formos ao encontro desta humildade, então tocamos o céu. Então a própria terra se torna nova. Com a humildade dos pastores, ponhamo-nos a caminho, nesta Noite santa, até junto do Menino no curral! Toquemos a humildade de Deus, o coração de Deus! Então a sua alegria tocar-nos-á a nós e tornará mais luminoso o mundo."

Algumas fotos do Papa, ontem e hoje, e a mensagem de Natal.


Feliz Natal!

A inexistência de leitores deste blog poderia justificar a ausência de qualquer referência a esta quadra. Porém, nem que seja para eu ler, queria desejar, nesta manhã de Natal, um óptimo dia de Natal a todos. E lembrem-se que a ideia não é ser o tempo do Pai Natal, mas a comemoração do nascimento mais fundamental da História, que marca o tempo, as ideias e as pessoas. Em minha casa, no tempo em que eu era uma excitação só pelos presentes (agora modero-me) quem dava os presentes era o Menino Jesus. Agora só ouço falar no tal Pai Natal... pai de quem, de resto?

B&A, Feliz Natal!

domingo, 23 de Dezembro de 2007

Acrescento a "Imagens da Presidência - I"

Tinha de pôr estas fotos para ilustrar melhor a estória que contei sobre o doyen...



Imagens da Presidência - II

É inevitável falar do grande protagonista da cimeira UE-África. Nem o odioso e odiado e indesejado (e seboso com mau aspecto) Mugabe conseguiu tirar protagonismo ao Grande Líder da Revolução Líbia, o antigo Coronel - agora só Sua Excelência - Muammar al Khadafi. Devo confessar que nunca nutri qualquer tipo de simpatia ou sequer interesse pelo senhor e o seu país. E constatei como era feio quando vi as primeiras fotografias da chegada a Lisboa e dos gritos da multidão que, sabe-se lá como, conseguiu entrar no AT1.

Certo é que, lá nas Necessidades, quando começou a reportagem sobre a chegada do Grande Líder foi uma correria até à televisão. Estranho interesse este, pela criatura feia - é realmente muito feio! - mas toda a preparação da visita, os diz que disse, as tendas e os camelos, a ocupação de São Julião da Barra, as amazonas (quase tão jeitosas como o Líder, de resto...) geraram pela visita uma curiosidade a um nível bastante surpreendente.

No dia da cimeira dei por mim a tirar freneticamente fotografias ao Grande Líder, quando chegou com o seu séquito e grande aparato à FIL. Foi então que o rock-star look se revelou com toda a intensidade. O que eram, afinal, aqueles óculos de sol e aquele pano vinte vezes enrolado, senão puro estilo? Só comecei a perceber a dimensão daquilo quando vi as fotografias tiradas durante a fotografia de família. Ao lado da Presidente do Parlamento Pan-Africano (que tinha 1 m e 40 cms para 140 kgs), o Grande Líder mostrou que consegue ter graça para além da esfinge:



Mas foi durante o banquete na Ajuda que fiquei fã do Senhor-Grande-Líder. A sua teatral saída foi digna de Hollywood e embora as câmaras não tenham registado o momento, vai certamente ficar muitos anos na minha memória. Enquanto a maioria dos chefes de Estado e de Governo esperavam o seu autocarro ou automóvel à saída, anunciou-se a descida de Khadafi. E apareceu no alto da sala, imponente, com a capa preta a esvoaçar e o branco do casaco a ofuscar tudo o que eram os Eduardos do Santos e os Mbekis da sala, por quem passou olhando adiante. E foi então que eu vi o pin com o formato de África e tive de ficar fã da feia criatura, como se fosse inevitabilidade do destino:


E note-se que só agora é que eu vi as fotos de Sua Excelência durante a visita ao Eliseu e a Versailles...










sábado, 22 de Dezembro de 2007

Tony Blair e outros católicos...

Foi hoje anunciado que o ex-PM britânico Tony Blair se converteu ao catolicismo (notícia no Times), algo que já se rumoreava há bastante tempo mas que ocorre dias antes do Natal. Não querendo diminuir nem questionar a fé do antigo governante, hoje "embaixador" do Quarteto de Paz para o Médio Oriente, quer-me parecer que está em causa uma photo-opportunity nos próximos dias, tipo família feliz à saída da missa.

Outro ilustre católico visitou o Papa Bento XVI no Palácio Apostólico esta semana. Pela primeira vez um Presidente francês faz uma visita ao Papa de fato escuro, algo lamentável do ponto de vista protocolar... O velho e arguido Chirac tinha visitado o Papa João Paulo II de casaca, comme il faut... 'outros tempos', dir-me-ão. Melhores, terei de retorquir. As tradições não fazem mal a ninguém e não se pagam mais impostos se o Senhor Sarkozy em vez de aparecer business as usual, pusesse o grande colar da Legião de Honra (ou o colar da Ordem Piana, que o Papa deu a Chirac e que ele usou na visita), já que o Papa se dá ao trabalho de pôr mozzetta e a "estola oficial" e mais a cruz de esmeraldas (como diria uma grande amiga minha, que riquinho - mas com pronúncia é rekin - que ele estava). Ficam as duas fotos para verem a diferença...

Resta saber se o Papa deu os parabéns ao ilustre visitante pelo seu recente caso com a frenética Bruni. Do comunicado oficial não consta. Diz que falaram da "situation internationale, concernant l’avenir de l’Europe, les conflits du Moyen Orient, les problèmes sociaux et politiques de certains pays africains et le drame des otages". Falaram também do papel das religões no mundo, em especial o papel da Igreja Católica, que é um dos temas dos meus relatórios de mestrado e que me interessa bastante.

terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

Madame la Presidente?

Parece que a Eurodisney e o parque de Versailles têm sido palco de românticos passeios entre o mediático Presidente francês e a comentada modelo-cantora-devoradora-de-homens(-pais-e-filhos) Carla Bruni. A assustadora vida sentimental da futura Primeira Dama de França vem hoje comentada no ABC, que fala de "erotismo do poder", a jogo com a foto. Vem também classificada com "man-eater" no Times de Londres, que já lhe chama "madame la Presidente".

A "nova Cecília" não terá provavelmente o charme, nem o mau feitio da ex-Primeira Dama, que o não foi - de facto - por mais de três meses mas que deixou lírica a imprensa, francesa e internacional. Parece é que o Presidente Sarkozy decidiu inaugurar uma fase nova na política francesa, em que o mediatismo propositado da vida sentimental assume porporções não muito comuns na política europeia. Resta ver o que resulta deste romance, sobretudo em termos políticos.

Imagens da Presidência - I

Não tenho sono suficiente e o livro que estou há meses para terminar não se revela suficientemente tentador. É, na verdade, a mais pura das secas. Mas um dia destes acabo, quando a vida social permitir. Por agora talvez escrever seja melhor opção. E parece-me que não posso deixar demasiado tempo antes de comentar alguns momentos da Presidência Portuguesa da UE, de cuja equipa fiz - faço - orgulhosamente parte. Acho que aquele "amor a Portugal" que a Dulce Pontes desesperadamente gritava na cerimónia de assinatura do Tratado de Lisboa foi um dos motivos de sucesso desta Presidência. Acho que cumprimos esse amor com a nossa dedicação e estamos, por isso, de parabéns.

Além de tantas memórias e tantas amizades que ficam, ficam também algumas imagens que acho que têm de ficar por escrito. Por respeito à antiguidade, tenho de falar, antes de mais, de um convidado de luxo da cimeira UE-África (e não estou a falar de coordenadores que se portaram como convidados e deram mais trabalho e aborrecimentos que alguns dos chefes de Estado); (e também - ainda - não estou a falar do Grande Líder). Na verdade, a vampiresca imagem do decano dos Presidentes africanos, o Presidente do Gabão, ao chegar ao concerto de abertura da cimeira há-de ficar na minha memória por longos anos.

Do alto dos seus tacões, para compensar o metro e meio, chegou com um ar imperial, envolto numa capa preta, forrada a... vermelho sangue. Atrás dele escusado será dizer que vinha a dama de companhia, de pelo menos 1,80, vestida da cor do forro da capa. Galantemente, a senhora aproximou-se do pequeno presidente, desapertando-lhe a capa - que o protegia do frio - e colocou-a no seu braço com carinho. Carregou-a dedicadamente o resto da noite e prova disso é esta fotografia, feita à saída do concerto duplamente africano Mariza-Cesária. O senhor decano é esta pessoa de costas. Merece destaque: não só é o ditador mais antigo que tivemos entre nós, como demonstra ter um fino senso de estilo... ou um(a) bom press/fashion adviser.

domingo, 16 de Dezembro de 2007

Aznar entrevistado no ABC

Tenho consciência de que a minha profunda admiração pelo ex-Presidente do Governo de Espanha é tudo menos comum ou compartilhada ou aceite. Mas não posso deixar de recomendar a leitura da entrevista do ex-Presidente Aznar no ABC de hoje. Custa-me que o que foi sem dúvida o melhor presidente de governo que o país vizinho algum dia teve, seja uma das personagens mais vilipendiadas pela imprensa e pela sociedade espanholas - e não só. Espero que um dia a história me dê razão e o meu julgamento da personalidade política de Aznar seja o que narrem os livros. Recomendo mesmo.

E não imaginam o esforço que eu faço para não comentar (hoje) sobre o sucessor...

no limiar do chique

Ontem estava a tomar café com a Inês, que, num momento cheio de graça, me definiu como estando "no limiar do chique". Não pelo facto de ela se estar a referir ao facto de eu me recusar a beber café em copos de plástico, não obstante não me importar de mexer com a espécie-de-colher-de-plástico; antes porque acho que é uma boa definição de mim mesmo, no geral da vida. E estando eu há tantos anos para criar um blogue - quer por falta de tempo, quer por falta de nome para a criatura - achei que este rasgo de lucidez da Inês era motivo suficiente para finalmente me dedicar a pôr alguma coisa por escrito.

Este é o primeiro post. Não sei, sinceramente, se terei paciência para escrever muitos outros. Como não tem um conteúdo predefinido, pode ser que ocasionalmente me queixe de alguma espécie de síndrome (não só de Gilbert... doença "chique" que me acompanha), discorra sobre algum evento que aflija Portugal, o Mundo ou a mim próprio ou comente alguma circunstância digna da minha modesta atenção. Não vale a pena fazer grandes previsões nem planos de futuro para o blogue; tal como não os faço para mim. Cheguei à conclusão que, quantos mais planos faço, em mais desilusões incorro.

Acho, por isso, que é melhor deixar os acontecimentos sucederem-se, com mais ou menos surpresa. Crio o blogue no fim de um ano perfeitamente inesquecível, em que me senti parte da história de Portugal e da Europa. E tudo isto foi uma surpresa. Talvez escreva sobre isto um dia destes. Para já fica um post sem previsões.